Médicos temem surto de Covid-19 e outras doenças infecciosas na Ucrânia

Kate White, gerente do programa de emergência do 'Médicos Sem Fronteiras', disse que pode haver aumento de doenças como poliomielite, cólera e sarampo devido à invasão à Ucrânia

Especialistas médicos transportam mulher ferida em ataque em Donetsk, na Ucrânia
Especialistas médicos transportam mulher ferida em ataque em Donetsk, na Ucrânia 03/03/2022 REUTERS/Alexander Ermochenko

Jacqueline Howardda CNN*

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Autoridades globais de saúde alertaram que haverá um aumento da Covid-19 na Ucrânia ligado à invasão da Rússia, mas os médicos também se preocupam com o aumento de outras doenças infecciosas: poliomielite, cólera e sarampo.
Antes da guerra, a Ucrânia tinha baixas taxas de vacinação contra essas doenças, disse Kate White, gerente do programa de emergência dos Médicos Sem Fronteiras, à CNN nesta terça-feira (15).
“Em termos do que chamamos de doenças evitáveis ​​por vacina, o status na Ucrânia é de que a população não foi vacinada para obter imunidade suficiente, como em muitos outros países europeus ou como os EUA”, disse White à CNN.

“Dado que essa era a linha de base, e agora temos uma situação em que esse sistema ou imunização de rotina não está mais funcionando porque o sistema de saúde foi interrompido — e além disso, tem a situação geral da saúde pública, tantas cidades onde a falta de acesso à saúde está comprometida, alguns lugares onde não têm mais o abastecimento de água que costumavam ter, não têm eletricidade, há problemas de saneamento – então, todos esses fatores de risco se acumulam em cima entre si, o que significa que há um risco aumentado”, disse White, referindo-se a doenças como poliomielite, cólera e sarampo.

“Houve um surto de poliomielite na Ucrânia no ano passado”, disse White. “A Ucrânia foi o último país da Europa a ter um surto de cólera em 2011, e isso foi em Mariupol. E como provavelmente você sabe, Mariupol agora tem problemas significativos com água e saneamento e uma incapacidade de realizar suas atividades diárias básicas, em torno da higiene.”
A cidade de Mariupol continua sendo um dos principais locais de ataques e danos russos. “Há também o risco de sarampo”, disse White. “O estado inicial de vacinação não foi particularmente alto.”
White acrescentou que ouviu falar de alguns médicos e voluntários que testaram positivo para Covid-19 na Ucrânia, mas “a capacidade de teste é mínima no momento”.
Na semana passada, funcionários da Organização Mundial da Saúde disseram que, à medida que a pandemia continua, a invasão da Rússia afetará a disseminação do coronavírus.
“Certamente, haverá um aumento do Covid-19 na população da Ucrânia, sem dúvida, porque não testar, sem acesso ao tratamento, com as vacinações interrompidas e já há baixa vacinação — acho que estava em cerca de 34% ou 35% a taxa de vacinação antes do conflito”, disse Mike Ryan, diretor executivo do programa de emergências de saúde da OMS, em uma entrevista coletiva na semana passada.
“Então, há muitas pessoas que ainda permanecem vulneráveis ​​à infecção”.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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