
Mesmo com metas, planeta caminha para aumento de 2,7°C, diz economista
Alexandre Scheinkman alertou que o mundo segue em rota de aquecimento bem acima do limite previsto pelo Acordo de Paris

O economista Alexandre Scheinkman, professor da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, afirmou nesta segunda-feira (13) que, mesmo que todos os países cumpram suas metas climáticas (NDCs), o planeta ainda caminha para um aumento de 2,7°C na temperatura média global.
“A ciência não está nos dando boas notícias. A quantidade de gases do efeito estufa continua a aumentar. Em 2024, nós tivemos um novo recorde. Houve uma queda por causa da Covid. Mesmo se as NDCs forem cumpridas, nós estamos em um caminho para chegar por volta de 2,7°C”, disse durante o evento da Pré-COP, em Brasília.
Alexandre Scheinkman participa do evento preparatório para a COP30 (30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima).
Ele reuniu um conselho de economistas para propor um relatório independente à Presidência da COP30 sobre como a economia pode integrar as questões climáticas.

O alerta de Scheinkman se refere à confirmação de que 2024 foi o ano mais quente da história, segundo dados do Copernicus, agência de monitoramento climático da União Europeia. O planeta ficou 1,6°C mais quente do que o período pré-industrial — acima, portanto, do limite de 1,5°C considerado seguro pelos cientistas.
As NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) são compromissos assumidos por cada país no âmbito do Acordo de Paris, tratado internacional firmado em 2015 por mais de 190 nações. O objetivo é limitar o aquecimento global abaixo de 2°C, preferencialmente a 1,5°C, em relação aos níveis pré-industriais.
O acordo sofreu uma baixa importante, depois do presidente Donald Trump anunciar a saída dos Estados Unidos. O governo Biden chegou a apresentar uma meta ambiciosa dos EUA em dezembro de 2024, que dizia que o país reduziria a poluição climática em até 66% abaixo dos níveis de 2005 até 2035. Mas Trump afirmou que o país não seguiria as políticas climáticas.


