Mesmo com negociação de paz, estrago já está feito na Ucrânia, diz ex-embaixador

Renato Marques explica que os ucranianos podem terminar a guerra sem minas de carvão, sem fábricas siderúrgicas, terá sua produção de trigo afetada, e irá se tornar um país dependente dos russos

Douglas Porto e Layane Serrano, da CNN, em São Paulo
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O ex-embaixador do Brasil na Ucrânia e em Belarus Renato Marques declarou, nesta terça-feira (15), em entevista à CNN, que mesmo com as negociações de paz com a Rússia, o estrago já está concretizado em território ucraniano com a guerra estabelecida no país desde o dia 24 de fevereiro.

"A situação que está colocada não dá muita margem para otimismo, qualquer que seja o desfecho. Mesmo que haja uma negociação de paz, conforme está mais ou menos colocada, com vários atores se movendo nesse tabuleiro, evidentemente o estrago já está feito", afirmou Renato Marques.

"É uma situação em que a Ucrânia está praticamente com uma espécie de terra arrasada, com os territórios ocupados e não sabemos se vão se manter na extensão que hoje alcança essa ocupação ou até onde vão às intenções do Putin no tocante à Ucrânia", continuou.

Para Marques, a Ucrânia pode terminar o conflito sem suas minas de carvão no leste, sem fábricas siderúrgicas, terá sua produção de trigo afetada, e irá se tornar um país mediterrâneo, que estará totalmente "dependente da boa vontade russa para usar portos de escoamento de sua produção".

A quarta rodada de negociações entre ucranianos e russos, realizada nesta terça-feira foi interrompida pela segunda vez seguida. O conselheiro presidencial e negociador da Ucrânia Mykhailo Podolyak alegou que as conversas com a Rússia são um processo “muito difícil e viscoso”.

No entanto, o representante ucraniano considerou que “certamente há espaço para compromisso”. Podolyak informou que as negociações com os russos continuarão nesta quarta-feira (16), e que existem “contradições fundamentais” entre as duas partes.