Mestre da literatura italiana, Roberto Calasso morre aos 80 anos

Fluente em várias línguas, seus trabalhos mais conhecidos são "A Ruína de Kasch", "Ka" e "As Núpcias de Cadmo e Harmonia"

Roberto Calasso participa do programa de TV italiano 'Che Tempo Che Fa' em 23 de março de 2013 em Milão, Itália
Roberto Calasso participa do programa de TV italiano 'Che Tempo Che Fa' em 23 de março de 2013 em Milão, Itália Foto: Stefania D'Alessandro/Getty Images

James Mackenzie, da Reuters

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O escritor italiano Roberto Calasso, “uma instituição literária em uma pessoa só”, cujas explorações eruditas do mito e da literatura foram traduzidas em mais de 20 línguas, morreu aos 80 anos, afirmou a editora Adelphi nesta quinta-feira (29).

Filho de um professor universitário antifascista, Calasso nasceu em Florença em 1941 e rapidamente demonstrou uma inteligência literária prodigiosa, lendo o monumental “Em Busca do Tempo Perdido”, de Proust, aos 13 anos.

Fluente em várias línguas, seus trabalhos mais conhecidos são “A Ruína de Kasch”, “Ka” e “As Núpcias de Cadmo e Harmonia”, uma versão do mundo da mitologia grega, mas seus assuntos variavam de deuses antigos ao pintor Tiepolo e escritores como Kafka e Baudelaire.

Ele também estabeleceu uma posição de destaque na vida cultural italiana como diretor da editora de prestígio em Milão, Adelphi Edizioni, na qual trabalhou por quase 60 anos e que comprou em 2015 para impedir que fosse vendida ao grupo Mondadori.

A dificuldade de classificar Calasso foi resumida pelo escritor Italo Calvino que disse que “A Ruína de Kasch” era sobre duas coisas. A primeira seria o estadista francês Talleyrand. A segunda, todo o resto.

A Paris Review uma vez o chamou de “instituição literária em uma pessoa só” e, com sua mistura esotérica de interesses –de Marlon Brando a escritores do século 17 sobre hieróglifos– ele se tornou um dos escritores italianos mais reconhecidos internacionalmente.

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