Midterms: Veja as disputas que podem decidir o controle do Senado dos EUA
Apenas nove das 35 disputas por vagas em estados são consideradas competitivas nas Eleições de Meio de Mandato, segundo analistas independentes
Os democratas precisam conquistar quatro cadeiras dos republicanos para assumir o controle do Senado dos Estados Unidos, que tem 100 integrantes, nas Midterms, as Eleições de Meio de Mandato de 3 de novembro. Embora os eleitores escolham candidatos em 35 estados, analistas independentes consideram que apenas nove dessas disputas são competitivas.
A maioria dessas eleições ocorre em estados vencidos pelo presidente Donald Trump em 2024. No entanto, sua taxa de aprovação está em 33%, a menor de sua carreira política, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos.
Alasca
O senador republicano Dan Sullivan enfrenta dois obstáculos em sua campanha pela reeleição: uma candidata democrata competitiva e outra pessoa na cédula com o mesmo nome.
A democrata Mary Peltola ocupou anteriormente a única cadeira do Alasca na Câmara dos Representantes por um mandato e fez campanha como centrista. Ela recebeu 82 mil votos, contra 69 mil de Sullivan, nas primárias não partidárias do estado, em agosto, em um resultado que pode ser um sinal de alerta para o atual senador.
Sullivan também terá de enfrentar outro republicano, o professor aposentado Dan J. Sullivan, que recebeu votos suficientes para avançar à eleição de novembro, apesar das tentativas do Partido Republicano de retirá-lo da disputa.
Peltola também pode se beneficiar do sistema de votação por escolha ranqueada adotado pelo estado, que leva em conta as segundas opções dos eleitores.
Há poucas pesquisas sobre a disputa, mas analistas a consideram indefinida.
Geórgia
O senador democrata Jon Ossoff disputa a reeleição contra o deputado republicano Mike Collins, conservador apoiado por Trump.
A Geórgia se consolidou como um dos principais campos de batalha eleitoral. Trump venceu o estado por uma margem apertada em 2024, enquanto Ossoff, de 39 anos, conquistou sua cadeira em um segundo turno apertado em 2021. Analistas consideram que Ossoff pode ser um candidato à Presidência em 2028.
Collins construiu uma imagem provocadora nas redes sociais, que ocasionalmente acabou se voltando contra ele. Em 2024, foi criticado por sugerir que o então presidente democrata Joe Biden havia ordenado uma tentativa de assassinato contra Trump. Nas últimas semanas, ele também foi questionado por publicações racistas feitas por um ex-assessor, das quais sua campanha se desvinculou.
A maioria das pesquisas mostra Ossoff à frente de Collins, e analistas independentes consideram que o democrata tem vantagem na disputa.

Iowa
Após uma década de domínio republicano, Iowa tem disputas competitivas neste ano, em meio às dificuldades enfrentadas pelo estado agrícola com as tarifas de Trump e os preços elevados dos combustíveis.
A deputada Ashley Hinson tenta manter a cadeira nas mãos dos republicanos após a aposentadoria da atual senadora Joni Ernst.
Ela enfrenta o deputado estadual democrata Josh Turek, ex-jogador de basquete paralímpico que tem destacado seu trabalho de cooperação entre os dois partidos na Assembleia Legislativa estadual.
As pesquisas apontam uma disputa acirrada, e analistas dizem que essa deve ser uma das eleições mais competitivas do outono americano.
Maine
Os democratas correram em julho para encontrar um substituto para Graham Platner, um produtor de ostras progressista e novato na política que abandonou a disputa após ser acusado de agressão sexual, o que ele negou. O partido rapidamente se uniu em torno de Troy Jackson, ex-madeireiro e ex-deputado estadual, que compartilha das posições progressistas de Platner.
Jackson, de 58 anos, enfrenta a atual senadora republicana Susan Collins, uma moderada que ocasionalmente rompe com seu partido. Eleita pela primeira vez em 1996, Collins venceu facilmente suas campanhas de reeleição, mesmo com o estado do nordeste americano apoiando consistentemente candidatos democratas à Presidência.
Pesquisas recentes mostram Jackson com vantagem de três a quatro pontos percentuais.

Os democratas estão na defensiva em Michigan, onde esperam manter a cadeira ocupada pelo senador Gary Peters, que vai se aposentar. Uma derrota nesse estado, onde a disputa é acirrada, complicaria os esforços do partido para assumir o controle do Senado.
O candidato democrata Abdul El-Sayed, progressista, ainda enfrenta resistência enquanto tenta consolidar apoio após derrotar por uma margem estreita a deputada centrista Haley Stevens em uma primária marcada por fortes disputas.
As críticas de El-Sayed a Israel e sua associação com o influenciador de esquerda Hasan Piker fortaleceram sua posição entre a ala progressista do partido, mas afastaram parte dos eleitores negros e judeus do estado.
Ele enfrenta o republicano Mike Rogers, ex-deputado que perdeu uma disputa pelo Senado em 2024.
As pesquisas mostram uma disputa acirrada, e analistas independentes consideram o resultado indefinido. Segundo eles, a candidatura de esquerda de El-Sayed pode dar a Rogers uma oportunidade maior de conquistar eleitores independentes.
New Hampshire
O republicano John Sununu tenta voltar ao Senado, onde já atuou entre 2003 e 2009. Os democratas indicaram o deputado Chris Pappas para disputar a cadeira aberta. Analistas independentes consideram que Pappas tem vantagem.

Os democratas têm boas chances de conquistar uma cadeira na Carolina do Norte, onde o senador republicano Thom Tillis está se aposentando.
Pesquisas de intenção de voto mostram o ex-governador democrata Roy Cooper com vantagem consistente sobre o republicano Michael Whatley, aliado de Trump que mais recentemente presidiu o Comitê Nacional Republicano.
Cooper é conhecido pelos eleitores da Carolina do Norte. Ele venceu quatro eleições para procurador-geral do estado e duas para governador, em 2016 e 2020, mesmo com Trump vencendo o estado nessas duas eleições presidenciais.
Whatley também tem décadas de experiência política, mas nunca havia disputado um cargo eletivo.
Ohio
O ex-senador democrata Sherrod Brown espera que os eleitores de Ohio se lembrem de seu longo histórico de defesa de políticas econômicas populistas enquanto tenta recuperar o cargo que ocupou anteriormente.
Eleito pela primeira vez em 2006, Brown foi derrotado pelo republicano Bernie Moreno em 2024, ano em que Trump venceu o estado, antes considerado competitivo, por 11 pontos percentuais.
Agora, Brown tenta derrotar o atual senador republicano Jon Husted, que foi nomeado para a cadeira em 2025, depois que o então senador JD Vance renunciou para assumir o cargo de vice-presidente de Trump. Husted já foi vice-governador e secretário de Estado de Ohio.
O estado vem se tornando cada vez mais republicano na última década, mas pesquisas recentes mostram Brown com vantagem de três a quatro pontos sobre Husted. Analistas consideram a disputa indefinida.
O vencedor ficará com o restante do mandato de Vance, que termina em janeiro de 2029.

Texas
Este estado tradicionalmente dominado pelos republicanos se tornou uma surpresa na disputa deste ano. Pesquisas mostram uma eleição acirrada entre o democrata James Talarico, deputado estadual e ex-estudante de seminário, e o republicano Ken Paxton, procurador-geral do estado.
Apesar de acusações de infidelidade conjugal que quase o levaram a deixar o cargo em 2023, Paxton derrotou o atual senador John Cornyn nas primárias republicanas, com o apoio de Trump, em uma disputa marcada por divisões. Desde então, ele tem enfrentado dificuldades para arrecadar recursos, obrigando o partido a gastar dinheiro para fortalecer uma cadeira que normalmente seria considerada segura.
Talarico tenta conquistar eleitores independentes e republicanos descontentes, mas seus comentários anteriores sobre identidade de gênero podem prejudicar sua candidatura.
Ainda assim, analistas consideram a disputa indefinida.


