Militante do Talibã à CNN: Mulheres terão de usar véu islâmico e cobrir rosto

'Elas podem ir a escola, podem continuar com a sua educação, mas vão usar o niqab', disse o integrante do grupo

Diego Pavão, da CNN em São Paulo

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A volta do Talibã ao poder no Afeganistão ameaça a repetição da tragédia já conhecida de 20 anos atrás.

À correspondente da CNN Internacional, Clarissa Ward, em Cabul, um representante do Talibã afirmou que não haverá interferência nos direitos das mulheres, entretanto, já há relatos de algumas proibições em partes do país.

“As mulheres podem continuar com a vida delas, e não vamos dizer nada para elas. Elas podem ir a escola, podem continuar com a sua educação, mas vão usar o niqab islâmico (tipo de véu), cobrindo o rosto”, disse o militante.

Questionado sobre o motivo pelo qual as mulheres devem cobrir o rosto, ele disse: “Porque está em nosso islã”. 

Clarissa Ward diz que fotos de mulheres na fachada de uma loja foram retiradas horas após o grupo retomar o poder, um sinal do retrocesso nos direitos humanos, principalmente daqueles conquistados pelas mulheres nos últimos 20 anos no Afeganistão.

E elas não são poucas: são 19 milhões de mulheres que conseguiram espaço — mesmo que tímido — no mercado de trabalho, na política e nas leis.

Em 2003, uma nova constituição garantiu liberdade para as mulheres, tanto no mercado de trabalho, quanto na educação, e elas passaram a ocupar 27% das cadeiras do Parlamento do país neste ano.

Porém, diante da opressão que elas viveram, esses pequenos avanços foram significativos.

De 1996 a 2001, quando o Talibã estava no poder, as mulheres só podiam sair de casa acompanhadas de um homem, não tinham permissão para frequentar escolas e universidades e nem tinham acesso ao sistema de saúde. 

Para circular pelas ruas, elas precisavam estar vestidas com o niqab, vestimenta que cobre o corpo por completo, com aberturas apenas nos olhos.

Linha do tempo do Talibã no Afeganistão

A violação destas regras implica em penalidades bárbaras, e elas poderiam ser espancadas e até apedrejadas até a morte.

Fotos: a crise no Afeganistão

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