Moldávia acusa Rússia de ajudar parlamentar pró-Moscou a fugir de prisão

Não é a primeira vez que o país europeu acusa a Rússia de interferir em seu cenário político

Da Reuters
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Nesta segunda-feira (31), a Moldávia acusou a embaixada da Rússia de arquitetar a fuga de um parlamentar pró-Kremlin para a região separatista da Transnístria, quando ele estava prestes a ser preso por alegações de financiamento político ilegal.

O caso de Alexander Nesterovschii, que não pôde ser contatado para comentar, é o mais recente em que o governo pró-Europa da Moldávia acusa a Rússia de interferir em seu cenário político. Moscou nega as alegações.

Em uma declaração, a embaixada russa afirmou que as alegações de interferência no caso do parlamentar eram infundadas e inaceitáveis, e que havia pedido às autoridades moldavas que "se abstivessem de especulações provocativas".

O serviço de segurança da Moldávia divulgou um vídeo que, segundo ele, mostrava Nesterovschii entrando na embaixada na capital Chisinau em 18 de março, um dia antes de um tribunal condená-lo a 12 anos de prisão.

O Ministério das Relações Exteriores da Moldávia disse mais cedo nesta segunda que três funcionários da embaixada da Rússia foram declarados persona non grata e informados de que eram obrigados a deixar o país "com base em evidências claras sobre a conduta de atividades contrárias ao seu status diplomático".

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia respondeu, afirmando que reagiria após a Moldávia expulsar três de seus diplomatas, informou a agência de notícias estatal RIA.

Nesterovschii foi considerado culpado de canalizar dinheiro ilegalmente para um partido pró-Rússia associado ao empresário fugitivo Ilan Shor nas eleições locais de 2023, bem como na votação presidencial de 2024 e em um referendo nacional sobre as aspirações da Moldávia à União Europeia (UE).

Nesterovschi negou as acusações, afirmando que foram politicamente motivadas.

O serviço de segurança disse que no dia de sua sentença ele foi levado em um carro branco com placas diplomáticas, que também é visível no vídeo, para a região da Transnístria, que se separou do controle da Moldávia no início dos anos 1990 e é apoiada pela Rússia.

"Esse tipo de atividade é parte do mecanismo de agressão híbrida direcionada à República da Moldávia", disse Alexandru Musteata, diretor do Serviço de Segurança e Inteligência da Moldávia, em um briefing.

O governo da Moldávia, que está tentando levar a antiga economia agrícola soviética para a União Europeia até 2030, acusou repetidamente a Rússia de se intrometer e tentar desestabilizá-la.

A Moldávia realiza uma eleição parlamentar neste outono que será um teste da popularidade do curso do governo pró-UE.

Na terça-feira passada (25), as autoridades moldavas disseram que detiveram Eugenia Gutul, uma governadora pró-Rússia da região de Gagauzia, na Moldávia, sob acusações de financiamento político ilegal enquanto ela tentava deixar o país. Gutul disse que as acusações foram motivadas politicamente.

Uma decisão judicial então ordenou que ela fosse mantida sob custódia por pelo menos 30 dias.

A polícia diz que outra legisladora, Irinna Lozovan, que está enfrentando acusações semelhantes, está se escondendo da polícia. Lozovan também disse que as acusações foram motivadas politicamente.