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    “Muitos podem morrer” com fim do acordo de grãos, alerta ONU

    Rússia rompeu negociações após alegar que os países ocidentais não estavam cumprindo alguns itens, como garantir a chegada os alimentos para os países mais pobres da África

    Michelle Nicholsda CNN

    O aumento nos preços dos grãos desde que a Rússia deixou um acordo que permitia a exportação segura de grãos da Ucrânia pelo Mar Negro “ameaça potencialmente a fome e pior que isso para milhões de pessoas”, disse o chefe de ajuda da Organização das Nações Unidas ao Conselho de Segurança na sexta-feira.

    A Rússia deixou o acordo de grãos do Mar Negro na segunda-feira, dizendo que as demandas para melhorar suas próprias exportações de alimentos e fertilizantes não foram atendidas e reclamando que grãos ucranianos não tinham chegado a países pobres em volumes suficientes.

    Os contratos futuros de trigo dos EUA em Chicago subiram mais de 6% esta semana e tiveram seu maior ganho diário na quarta-feira desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, mas reduziram alguns desses ganhos na sexta-feira em parte devido às esperanças de que a Rússia possa retomar as negociações sobre o acordo.

    “Os preços mais altos serão sentidos de forma mais aguda pelas famílias nos países em desenvolvimento”, disse Martin Griffiths ao Conselho de 15 membros, acrescentando que atualmente cerca de 362 milhões de pessoas em 69 países precisam de ajuda humanitária.

    “Alguns passarão fome, alguns morrerão de fome, muitos podem morrer como resultado dessas decisões”, disse ele.

    O acordo foi negociado há um ano pela ONU e pela Turquia para combater uma crise alimentar global agravada pela invasão da Rússia em fevereiro de 2022. A Ucrânia e a Rússia estão entre os principais exportadores de grãos do mundo.

    A ONU argumentou que o acordo do Mar Negro beneficiou os países mais pobres ao ajudar a baixar os preços dos alimentos em mais de 23% globalmente. O Programa Mundial de Alimentos da ONU também embarcou cerca de 725 mil toneladas de grãos ucranianos para ajudar as operações no Afeganistão, Djibuti, Etiópia, Quênia, Somália, Sudão e Iêmen.

    Mas Mikhail Khan, um macroeconomista que a Rússia pediu para apresentar um informe ao Conselho de Segurança, disse que os países mais pobres receberam apenas 3% dos grãos.

    “A avaliação qualitativa do impacto do acordo de grãos em termos de provisões de grãos ucranianos para os mercados globais não é essencialmente muito significativa”, disse ele.

    Potencialmente catastrófico

    A Rússia está negociando exportações de alimentos para os países mais necessitados após sua saída do acordo, mas ainda não assinou nenhum contrato, disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Vershinin, em Moscou nesta sexta-feira.

    A Rússia atacou as instalações de exportação de alimentos da Ucrânia pelo quarto dia consecutivo nesta sexta. Moscou descreveu os ataques a portos como uma vingança por um ataque ucraniano na ponte da Rússia para a Crimeia na segunda-feira.

    “A nova onda de ataques aos portos ucranianos corre o risco de ter impactos de longo alcance na segurança alimentar global, em particular nos países em desenvolvimento”, disse a chefe de assuntos políticos da ONU, Rosemary DiCarlo, ao Conselho de Segurança.

    A Rússia disse que agora vai considerar qualquer navio que navegue para os portos ucranianos do Mar Negro como possivelmente transportando cargas militares. Kiev respondeu anunciando medidas semelhantes contra embarcações com destino à Rússia ou território ucraniano ocupado pela Rússia.

    DiCarlo disse que essas ameaças eram “inaceitáveis”.

    “Qualquer risco de propagação do conflito como resultado de um incidente militar no Mar Negro – seja intencional ou acidental – deve ser evitado a todo custo, pois isso pode resultar em consequências potencialmente catastróficas para todos nós”, disse ela.

    O presidente turco, Tayyip Erdogan, espera se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin, no próximo mês e disse que essas negociações podem levar à restauração do acordo de grãos do Mar Negro, pedindo aos países ocidentais que considerem as demandas da Rússia, noticiaram emissoras turcas nesta sexta-feira.

    (Reportagem adicional de Sybille de La Hamaide em Paris)