Mulher que alegava ser Madeleine McCann é condenada por assédio à família

Promotores disseram que havia "provas científicas inequívocas" de que Julia Wandelt não tem nenhum vínculo com a menina desaparecida

Sam Tobin, da Reuters
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Uma mulher polonesa foi condenada nesta sexta-feira (7) a seis meses de prisão por assediar a família da menina britânica desaparecida Madeleine McCann por mais de dois anos, mas foi inocentada de uma acusação mais grave de perseguição.

Julia Wandelt alegou falsamente ser Madeleine, que desapareceu em maio de 2007, dias antes do aniversário de quatro anos, enquanto passava férias com sua família na região do Algarve, em Portugal.

Os promotores disseram ao júri no Leicester Crown Court que havia "provas científicas inequívocas" de que Wandelt não tinha nenhum vínculo familiar com os McCanns, o que a levou a soluçar no banco dos réus.

Julia Wandelt, 24 anos, foi acusada de perseguir os pais de Madeleine, Kate e Gerry, inclusive por meio de e-mails, mensagens e telefonemas, de junho de 2022 até sua prisão em fevereiro.

Ela e Karen Spragg, 61, que os promotores disseram ter apoiado as alegações da jovem, foram absolvidas por um júri da acusação de perseguir os McCanns.

Wandelt foi condenada por assédio e recebeu a sentença máxima de seis meses, mas a juíza Johannah Cutts disse que ela havia recebido uma notificação de deportação. Ela também recebeu uma ordem de restrição por tempo indeterminado que a impede de entrar em contato com os McCanns.

Kate e Gerry McCann disseram em um comunicado que "não temos nenhum prazer com o resultado" e pediram a qualquer pessoa que tivesse provas sobre o desaparecimento de Madeleine que as transmitisse à polícia.

"Esperamos que Wandelt receba os cuidados e o apoio adequados de que necessita e que qualquer vulnerabilidade não seja explorada por outros", acrescentaram.

Kate McCann prestou depoimento no mês passado dizendo que Wandelt a fez sentir-se angustiada e "invadida" ao abordá-la em sua casa e dizer que era sua filha em dezembro de 2024.

Ela também disse que Wandelt enviou uma carta no dia seguinte endereçada à "mamãe", o que Kate McCann disse ter achado "realmente angustiante".

Wandelt pareceu enxugar as lágrimas durante partes do depoimento de Kate McCann e chorou alto no banco dos réus ao final das perguntas da promotoria.

Gerry McCann e a irmã mais nova de Madeleine, Amelie, também testemunharam sobre o impacto que as tentativas de contato de Wandelt tiveram sobre eles.

Julia Wandelt, no entanto, disse ao júri que nunca teve a intenção de causar qualquer dano aos McCanns e que simplesmente queria descobrir se ela poderia ser sua filha desaparecida.

"Tenho até simpatia por eles (...) porque eles procuram a filha e eu procuro meus pais", disse ela.

Os pais de Madeleine continuam fazendo campanha para encontrar a filha, que agora teria 22 anos, e emitem uma declaração todos os anos no aniversário do dia em que ela desapareceu.

O principal suspeito de seu desaparecimento foi libertado de uma prisão alemã em setembro, após cumprir sentença de sete anos por um crime sexual não relacionado.