Mulher que sobreviveu à injeção letal nos EUA está em estado crítico

Advogados de Christa Pike afirmaram que norte-americana está hospitalizada após falha na tentativa de execução no estado do Tennessee

Jonathan Allen, da Reuters
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Christa Pike, a mulher que sobreviveu à injeção letal nos Estados Unidos, está recebendo atendimento médico de emergência em um hospital de Nashville nesta quinta-feira (1°), segundo os advogados dela.

"Christa está viva neste momento. Não temos uma noção clara do prognóstico nem muitas atualizações sobre seu estado de saúde agora, mas sabemos que ela está viva e recebendo atendimento médico de emergência", disse Randall Spivey, um dos advogados de Pike, a repórteres.

"O que nos informaram é que ela está em estado crítico, recebendo cuidados para salvar sua vida. Essas são as únicas informações que temos no momento", afirmou Stephen Farrell, outro advogado.

Pike, de 50 anos, foi condenada à morte na década de 1990 no Tennessee, após um júri considerá-la culpada de um assassinato cometido quando ela tinha 18 anos.

A tentativa de execução aconteceu na quarta-feira (30) na Penitenciária de Segurança Máxima Riverbend.

O governador do Tennessee, Bill Lee, ordenou a suspensão das execuções programadas no estado pelo restante do ano e uma revisão independente da tentativa de quarta-feira.

Na segunda-feira (28), ele havia negado o pedido de clemência de Pike para converter sua pena em prisão perpétua.

"Ninguém queria que o que aconteceu ontem à noite tivesse ocorrido", afirmou Lee a jornalistas.

"É uma tragédia, e é profundamente perturbador para mim que isso tenha acontecido neste estado. A população merece algo melhor, e vamos garantir que isso aconteça", adicionou.

Christa Pike recebeu duas injeções letais

O Tennessee adotou um protocolo de injeção letal com apenas um fármaco — o pentobarbital, um barbitúrico potente — em 2024.

Agentes penitenciários injetaram duas seringas em Pike, segundo informaram seus advogados em uma petição judicial protocolada tarde da noite de quarta.

O procedimento causou "agonia desnecessária", mas não a matou.

Autoridades do Tennessee informaram que a execução foi interrompida e que ela foi levada a uma ambulância.

Kayla Hackney, porta-voz do Departamento de Correções, recusou-se a responder a perguntas sobre o estado de saúde de Pike nesta quinta-feira.

Primeira mulher que seria executada em 200 anos

Pike teria sido a primeira mulher executada pelo Tennessee em mais de dois séculos.

A maioria dos países aboliu a pena de morte, e o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que o caso demonstra que os EUA deveriam seguir o mesmo caminho.

"O sofrimento prolongado — físico e mental — decorrente de múltiplas tentativas de execução fracassadas é abominável e cruel", disse Türk em um comunicado.

Pike tinha 18 anos em janeiro de 1995, quando ela, seu namorado Tadaryl Shipp (então com 17 anos) e um terceiro comparsa atraíram Colleen Slemmer — uma colega de 19 anos do centro de treinamento profissional Job Corps, em Knoxville — para uma área arborizada, onde a torturaram e mataram.

Pike e Shipp confessaram o crime, e ambos foram condenados por homicídio em primeiro grau.