Mulher que sobreviveu à injeção letal nos EUA permanece em estado crítico
Christa Pike está inconsciente e respirando com ajuda de aparelhos após duas doses de injeção letal durante execução no estado do Tennessee
Christa Pike permanece em estado crítico e respirando com a ajuda de um ventilador após a tentativa frustrada de execução na última quarta-feira (30), informou neste domingo (4) seu advogado, Stephen Ferrell.
Pike estava prestes a se tornar a primeira mulher executada no estado do Tennessee em 200 anos. Segundo Ferrell, ela continua inconsciente e ainda não conseguiu se comunicar.
“Nós realmente não sabemos qual é o prognóstico e talvez não saibamos por vários dias”, afirmou o advogado à CNN.
A equipe do hospital continua trabalhando para eliminar do organismo de Pike as duas doses de pentobarbital administradas durante a execução.
Ferrell disse que não teve autorização para visitar Pike, que permanece sob vigilância, e afirmou não saber quem, se alguém, conseguiu vê-la.
“Uma das principais coisas que deixarão isso em aberto por algum tempo é o fato de que não sabemos qual é o prognóstico, ou seja, o prognóstico a longo prazo. Se ela se recuperar, pode não se recuperar completamente e pode haver questões relacionadas à sua capacidade”, afirmou o advogado.
Histórico
Pike foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995.
Ela estava prestes a se tornar a primeira mulher executada no Tennessee em 200 anos. Agora, seu caso judicial está paralisado.
O governador Bill Lee anunciou que suspenderá a última execução prevista no estado para este ano enquanto uma revisão independente é realizada para “determinar exatamente o que aconteceu” no caso de Pike, segundo a Associated Press.
“O governador agiu corretamente ao determinar uma investigação. Precisamos saber o que aconteceu”, afirmou o gabinete do procurador-geral do Tennessee, Jonathan Skrmetti, em comunicado.
A suspensão faz parte do uso intermitente da pena de morte no Tennessee nos últimos anos. Lee também suspendeu execuções em 2022 para realizar uma revisão.
No início deste ano, o estado não conseguiu realizar uma injeção letal em um condenado à morte depois de enfrentar dificuldades para encontrar uma veia.
Advogados pedem comutação da pena
Pike estava inicialmente programada para ser executada na manhã de quarta-feira (30), mas recursos judiciais de última hora adiaram a execução para o fim do dia.
O protocolo de execução começou no início da noite, e ela proferiu suas últimas palavras às 19h26, horário local, segundo jornalistas que testemunharam o procedimento.
No entanto, após receber duas doses da combinação de medicamentos, ela estava roncando e aparentava estar viva, disseram as testemunhas.
“Nada disso foi normal”, afirmou Catherine Sweeney, repórter da WPLN. “Cobri todas as execuções no ano passado e a maioria das deste ano. Nunca vimos nada parecido. Deu tudo muito errado.”
O Departamento de Correção do Tennessee afirmou que seguiu o protocolo durante toda a tentativa malsucedida de execução.
“O Departamento de Correção do Tennessee seguiu todas as etapas do protocolo de execução legal e estabelecido pelo estado, aprovado pelo gabinete do procurador-geral”, afirmou o órgão em comunicado na quarta-feira. “O produto químico usado na injeção letal prevista no protocolo tem sido consistentemente eficaz, e o protocolo não permite procedimentos adicionais além dos realizados nesta noite.”
Randy Spivey, um dos advogados de Pike, afirmou que a revisão do protocolo determinada pelo governador não é suficiente.
Ele pediu que Lee comute a pena de Pike, dizendo que ela sofreu uma punição “maior do que qualquer outra pessoa na história da pena de morte americana”.
Os advogados disseram ter alertado previamente o tribunal de que os problemas nas veias de Pike dificultariam a aplicação da injeção letal.
“Não temos satisfação alguma em ter acertado, mas as preocupações levantadas pela senhora Pike se mostraram verdadeiras: dificuldade de acesso às veias, veias que se romperam, pentobarbital degradado, ausência de atendimento médico de emergência quando inevitavelmente algo dá errado, tudo sob um protocolo que permanece envolto em sigilo”, disseram os advogados Spivey e Kelly Gleason em comunicado.
O que aconteceu na quarta-feira, porém, foi essencialmente o “maior medo” de Pike, segundo o advogado Stephen Ferrell.
“Não era o medo de morrer. Era o medo de uma morte prolongada, dolorosa e traumática. Foi isso que aconteceu, menos a morte”, afirmou.

