“Mulheres estão na linha de frente dos protestos”, diz iraniana

Mahsima Nadim vive no Brasil há 13 anos e relata dificuldade da vida das mulheres no Irã

Isabella Galvão, da CNN Brasil, São Paulo
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Após viver quase 29 anos sob o regime iraniano, marcado por restrições severas às mulheres, Mahsima Nadim deixou Teerã e se mudou para o Brasil. Em entrevista à CNN Brasil, ela relatou a repressão enfrentada no Irã e destacou o protagonismo feminino nos protestos contra a falta de direitos básicos no país.

“Eu saí do Irã porque eu não tinha direito para escolher minha própria roupa. Por 47 anos as mulheres estão lutando pelos direitos básicos delas”, afirmou Mahsima.

No caso dos protestos no Irã, o cenário não é diferente. Ela conta que as mulheres estão na linha de frente das manifestações.

“São sempre as mulheres que estão lutando contra esse regime. E por isso elas estão na linha na frente. Elas querem que seus direitos sejam devolvidos.”

Mahsima destaca a dificuldade que as mulheres enfrentam no país desde a infância. “Infelizmente muitas mulheres, meninas, crianças e adolescentes perderam a vida delas. Mas elas têm uma palavra que elas buscam: a liberdade.”

Dificuldade de comunicação

A iraniana também falou sobre o apagão geral da internet no país. Ela afirmou que não consegue contato com seus familiares há 6 dias.
“Existem algumas linhas que pessoas conseguiram ligar de dentro do Irã para fora, mas isso só funciona para alguns países. E, além disso, eles têm que pagar um valor muito alto para conseguir ligar. Ainda não consegui falar de jeito nenhum com a minha família.”

Repressão aos protestos

Mahsima também criticou a repressão do regime iraniano aos protestos, afirmando que os movimentos começaram pacíficos e que a população não utiliza armas.

“Eles não têm armas, eles não usam essas coisas. Mas o regime está armado, está usando as armas de guerra e está matando pessoas com tiro mesmo. O povo não tem nada. O regime iraniano vai matar até quando estiver no poder. Eles estão fazendo um genocídio.”