Na Flórida, homem paga contas atrasadas de 114 famílias que estão em dificuldade

Michael Esmond doou US$ 7.615,40 para pagar dívidas de moradores da comunidade onde vive

Michael Esmond lê cartão que será entregue às famílias que tiveram as contas pagas por ele
Michael Esmond lê cartão que será entregue às famílias que tiveram as contas pagas por ele Foto: Reprodução / CNN

Christina Zdanowicz, da CNN

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O proprietário de uma empresa na Flórida, nos Estados Unidos, pagou as contas de serviços públicos de 114 famílias que corriam risco de sofrer cortes no fornecimento.

A generosidade de Michael Esmond começou em 2019, quando ele pagou as dívidas de 36 famílias da comunidade onde vive na cidade de Gulf Breeze. Neste ano, com os problemas econômicos causados na cidade pelo furacão Sally e a pandemia de Covid-19, ele pensou que precisava aumentar a bondade.

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“Este ano, para mim, provavelmente é ainda mais significativo do que o ano passado, com a pandemia e todas as pessoas desempregadas que tiveram que ficar em casa”, contou Esmond à CNN. “O furacão Sally nos atingiu muito e feriu diversas pessoas. Ainda temos muitos telhados azuis aqui, onde elas estão cobertas somente por lonas.”

Ele doou US$ 7.615,40 para pagar contas vencidas de 114 famílias, segundo Joanne Oliver, supervisora de cobrança de serviços públicos da cidade. Os cartões de festas informando os moradores a respeito serão postados nesta semana, disse ela.

Dívidas de US$ 100 ou menos

Apesar de a doação de Esmond ter aumentado em relação aos US$ 4.600 de 2019, ele afirmou que conseguiu ajudar cerca de três vezes mais famílias. Isso porque havia muitos moradores que tinham dívidas de US$ 100 ou menos. “Realmente me impactou que as pessoas não conseguiam sequer pagar uma conta de US$ 100”, disse.

Os negócios estavam indo bem em 2020 para Esmond, de 74 anos, dono do Piscinas e SPAs Gulf Breeze. Ele conta que se sente “quase envergonhado” em dizer isso às pessoas porque sabe o quão difícil tem sido para muitas delas. “Tivemos um ano bom e é por isso que eu quero dividir o que tenho com quem precisa.”

Além da crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus, a região teve que lidar com os efeitos do furacão Sally. Um acidente relacionado à tempestade danificou, inclusive, uma parte da recém-construída ponte de Pensacola Bay, que dá acesso a Gulf Breeze, disseram as autoridades em setembro.

Tolerância

Com a devastação causada pela pandemia na cidade, Joanne Oliver contou que os moradores estão contando com um tempo maior antes que serviços como água, gás e esgoto sejam desligados por falta de pagamento. “Não estamos cortando [os serviços] dos devedores até que se complete mais de 60 dias do vencimento da conta”, informou ela.

O cheque que Esmond deu é para cobrir as dívidas das pessoas que estão devendo há mais de 60 dias, segundo Oliver. O saldo restante cobriu as dívidas de quem estava atrasado há mais de 30 dias.

“Mesmo que nosso país e nossa cidade estejam hoje passando provavelmente pelo ano mais difícil de nossas vidas, ainda há pessoas que são generosas e boas e realmente querem ajudar as outras”, disse ela. “Ter outras pessoas dentro da comunidade querendo estender a mão e ajudar os vizinhos agora é mais importante do que nunca.”

Dificuldade sentida na pele

Esmond sabe como é passar por uma situação difícil. Nos anos 1980, ele teve os serviços públicos cortados. “Já tive pouca sorte assim como essas pessoas hoje, tendo problemas para pagar as contas e sustentar três filhas”, afirmou. “A companhia de gás cortou o fornecimento e não tínhamos aquecimento.”

Na época, houve um dos invernos mais rigorosos registrados na região, com as temperaturas em apenas um dígito. “Eu sei como é sofrer e não poder pagar as contas”, afirmou. “Esse talvez seja um dos maiores motivadores para mim, porque eu já passei por isso.” 

E a época do ano para ele ajudar foi escolhida a dedo. “Essas pessoas não podem pagar as próprias contas e colocar comida na mesa, então eu espero que, fazendo a minha parte e pagando algumas contas para elas, ajude a aliviar [a situação] perto do Natal.” 

(Texto traduzido. Leia o original em inglês.)

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