Não é bom para a democracia o que EUA fazem na Venezuela, diz Lula à CNN
Presidente concedeu entrevista à âncora da CNN Christiane Amanpour, nesta segunda-feira (21), na véspera do discurso na Assembleia Geral da ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista à âncora da CNN Christiane Amanpour, nesta segunda-feira (21), que "não é bom para a democracia" o que os Estados Unidos fazem na Venezuela.
Na avaliação do chefe do Executivo, a soberania de Caracas acabou.
"É grave o que os Estados Unidos fizeram com a Venezuela. É lógico que é grave. Os Estados Unidos passam a ideia de que estão governando a Venezuela", disse Lula.
"Em todo documento que a gente lê, os acordos, é que os EUA estão mandando na Venezuela. Ou seja, a soberania do país acabou. Isso não é bom. Não é bom para os Estados Unidos, não é bom para a Venezuela e não é bom para a democracia", acrescentou.
"O ideal é que se construa parcerias com a Venezuela para ele construir... Outro dia eu disse: se eu fosse a Delcy, eu convocava eleições o mais rápido possível para que o povo pudesse escolher quem será o presidente do país. Porque, do jeito com que os EUA tratam a Delcy, dá a impressão que os EUA mandam na Delcy", completou.
O presidente disse que Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, "gosta de explicitar que é ele quem manda na Venezuela, que o dinheiro do petróleo vem para os EUA e eles dão um pouquinho para a Venezuela".
Ele ainda pontuou acreditar que "esse não é o jeito mais correto de fazer política internacional ou de fazer a relação entre os Estados".
Lula pontuou, de toda forma, que, se Nicolás Maduro cometeu um erro, ele deve ser julgado, mas voltou a criticar a forma como foi retirado do poder pelo governo norte-americano.
"Ele tem que ser julgado, ele tem que ser apurado, ele tem que ser investigado. Não pode um país acusar", destacou.
Trump deve se reunir com Delcy Rodriguez na terça-feira
Trump deve se reunir com a presidente interina venezuelana Delcy Rodriguez nesta terça-feira (22), segundo apurou a agência Reuters com uma autoridade sênior do governo americano.
O encontro será o primeiro entre os dois líderes desde que Washington destituiu o ditador Nicolás Maduro, em janeiro.
O encontro de Trump com Rodríguez ocorrerá à margem de uma recepção que o presidente republicano oferecerá, disse o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, a repórteres em uma teleconferência.
“O presidente oferecerá uma recepção aos líderes da Assembleia Geral da ONU. Lá, ele participará de uma conversa à parte com a presidente interina Rodríguez, da Venezuela”, disse Waltz. Ele não deu detalhes sobre o que eles possam discutir.
O Ministério da Comunicação da Venezuela, responsável por todas as consultas da imprensa ao governo, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
No mês passado, os EUA e a Venezuela assinaram um acordo energético que permitiria aos EUA assumir o controle parcial das vastas reservas de petróleo da Venezuela, apostando que empresas norte-americanas possam ajudar a revitalizar o setor energético abalado do país sul-americano.
Delcy representará Venezuela na ONU a menos de 15 km da prisão de Maduro
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, chegou ao Aeroporto de Teterboro, em Nova Jersey, nesta segunda-feira (21), para participar da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU.
O evento acontece a cerca de 15 quilômetros do Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn (MDC, na sigla em inglês), onde o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, e a esposa dele, Cilia Flores, estão presos, após serem capturados pelos Estados Unidos em Caracas no início do ano.


