Navio comercial do Irã foi atingido no Estreito de Ormuz, diz mídia estatal

Ataque matou uma pessoa e feriu outras quatro; reunião entre Irã e países do Golfo sobre a gestão do tráfego no estreito foi adiada

Laura Sharman, Rupert Neate e Ibrahim Dahman, da CNN

A mídia estatal iraniana afirmou que uma embarcação comercial do país foi atingida no Estreito de Ormuz no sábado (12), deixando uma pessoa morta, em meio à disputa entre Estados Unidos e Irã pelo controle do importante ponto de passagem de energia.

O ataque ocorreu ao mesmo tempo em que os houthis, rebeldes apoiados pelo Irã no Iêmen, intensificam seus ataques e avançam em uma tentativa de controlar uma segunda via marítima estratégica da região, o que pode aumentar ainda mais a pressão sobre os preços globais do petróleo.

Segundo a emissora estatal iraniana IRIB, quatro pessoas ficaram feridas no ataque, ocorrido perto da Ilha de Qeshm, no estreito.

A agência estatal iraniana IRNA citou o governador de Qeshm, que atribuiu o ataque a um “inimigo terrorista”.

Os Estados Unidos não comentaram o ataque. A CNN procurou o Comando Central dos EUA em busca de posicionamento.

Forças americanas já atacaram anteriormente embarcações com bandeira iraniana, enquanto mantêm um bloqueio aos portos do Irã e enfrentam a ameaça renovada de mísseis balísticos iranianos lançados contra seus navios de guerra.

A Ilha de Qeshm, localizada a cerca de 22 quilômetros da cidade portuária iraniana de Bandar Abbas, é fundamental para que o Irã exerça controle sobre o tráfego no Estreito de Ormuz. Cerca de 20 milhões de barris de petróleo passavam pelo estreito diariamente antes da guerra, mas o tráfego permanece cerca de 90% abaixo dos níveis anteriores ao conflito.

No domingo (13), o Ministério das Relações Exteriores da Índia informou que o MT El Gaia, uma embarcação de bandeira do Panamá com 14 indianos entre os tripulantes, foi atacado na costa de Omã.

“Dos 14 tripulantes indianos a bordo, 13 foram resgatados até o momento”, afirmou o porta-voz do ministério, Randhir Jaiswal, no X. “As operações de busca e resgate pelo cidadão indiano desaparecido continuam.”

Não está claro se a embarcação mencionada pela mídia estatal iraniana é o MT El Gaia. A CNN procurou o Ministério das Relações Exteriores da Índia para obter esclarecimentos.

Separadamente, outra embarcação foi atingida por um projétil desconhecido no estreito na noite de sábado (12), segundo o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO). O órgão informou que um incêndio começou a bordo e que autoridades locais ajudaram na evacuação da tripulação. Não foram divulgados detalhes sobre o país de registro da embarcação.

Negociações sobre o Estreito de Ormuz

Os principais diplomatas dos países árabes do Golfo deveriam se reunir com o ministro das Relações Exteriores do Irã em Omã nesta segunda-feira (14) para discutir a gestão do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei.

No entanto, o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, afirmou no domingo (13) que a reunião foi adiada “no interesse do consenso”. O Bahrein havia informado que não participaria, e não estava claro quais outros países estariam presentes caso o encontro ocorresse.

Um funcionário do Golfo afirmou que a Arábia Saudita apresentou alterações ao texto proposto porque estava preocupada que a linguagem pudesse estabelecer um novo status quo que não seria aceitável para o país ou para os demais integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo.

A mídia estatal iraniana informou que autoridades estão trabalhando em conjunto com Omã para encontrar uma nova data para a reunião. O Irã negocia há meses com Omã, que controla a margem oposta do estreito, um acordo que poderia regulamentar a navegação na região.

O ministro da Energia de Omã, Salim Al Aufi, afirmou na segunda-feira (14) que a interrupção no Estreito de Ormuz provavelmente será uma situação de curto prazo e deverá se estabilizar no médio prazo, segundo a Reuters.

O Irã, porém, minimizou as perspectivas de um avanço. O presidente Masoud Pezeshkian disse à emissora India Today TV, no sábado (12), que “a via navegável seria aberta sob a condição de que os EUA encerrassem seu bloqueio”.

Ebrahim Azizi, chefe do comitê de segurança nacional do Parlamento iraniano, afirmou no X: “Enquanto o lado americano não aceitar todas as condições do Irã, o diálogo e a negociação não têm utilidade”.

Um alto funcionário iraniano disse à CNN no domingo (13) que as conversas tinham como objetivo preparar o terreno para melhorar a segurança regional e trabalhar na criação de “rotas marítimas seguras”.

“Entretanto, esse acordo não implica uma reabertura automática do Estreito de Ormuz”, afirmou a fonte. “O estreito não ficará seguro até que os EUA cumpram suas obrigações e interrompam o bloqueio naval e a guerra econômica.”

Houthis apoiados pelo Irã atacam base saudita

Os rebeldes houthis apoiados pelo Irã no Iêmen afirmaram no domingo (13) que realizaram um ataque contra uma base militar saudita na região de Sharurah.

Os houthis intensificaram recentemente os combates contra o governo do Iêmen, apoiado pela Arábia Saudita, e ampliaram sua área de controle para perto de uma importante via marítima do Mar Vermelho que liga a Ásia à Europa.

O porta-voz dos houthis, Yahya Saree, afirmou que uma “barragem de mísseis balísticos e drones” foi usada para atingir “depósitos de armas e salas de comando e controle”, mas não especificou quando o ataque ocorreu.

No sábado (12), os houthis haviam afirmado que forças sauditas realizaram 129 ataques aéreos contra áreas sob controle do grupo no Iêmen.

Na semana passada, os houthis capturaram a ilha de Perim, na entrada do Mar Vermelho. A ilha divide o estratégico estreito de Bab el-Mandeb em duas partes, dando a Teerã controle de fato sobre outra importante rota marítima, além do Estreito de Ormuz.

No início desta semana, uma fonte disse à CNN que o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman havia conversado duas vezes com o presidente dos EUA, Donald Trump, para pedir que ele atacasse os houthis enquanto a milícia avançava pelo Iêmen em direção ao Mar Vermelho. Trump recusou.

As Facções da Resistência Nacional do Iêmen, grupos militares alinhados ao governo iemenita, afirmaram no domingo (13) que mais de 500 de seus combatentes foram mortos na ofensiva dos houthis, que já dura três semanas, na costa oeste do país.

A Arábia Saudita informou no sábado (12) que fechou temporariamente seu oleoduto Leste-Oeste como medida de precaução após um ataque de drone. Bagdá e Riad afirmaram que o ataque teve origem no Iraque, onde atuam milícias apoiadas pelo Irã.

Questionado sobre as preocupações sauditas após o fechamento do oleoduto e a transferência do tráfego marítimo pelo estreito, Trump afirmou que tudo “vai dar certo”.

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