Netanyahu compartilhou dados sobre Irã com Emirados Árabes, diz fonte

Primeiro-ministro israelense teria mostrado ao presidente do país, Sheikh Mohammed bin Zayed, que Teerã está retomando progresso do programa nuclear

Tim Lister e Tal Shalev, da CNN, Jerusalém
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O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, mostrou ao presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohammed bin Zayed, novas informações da inteligência israelense indicando que o Irã está retomando o progresso de seu programa nuclear, durante uma visita ao país no domingo (27), disse à CNN uma fonte israelense com conhecimento do encontro.

Entre as informações compartilhadas por Netanyahu estavam detalhes sobre uma nova construção no sítio da montanha Pickaxe — cerca de 225 quilômetros ao sul da capital Teerã — considerado um local chave para possíveis esforços iranianos de reconstruir seu programa nuclear.

No domingo, uma fonte israelense familiarizada com a visita disse à CNN que a reunião não anunciada foi dominada por discussões sobre o Irã, uma área em que os dois países aprofundaram sua cooperação, inclusive durante a atual guerra com o Irã.

A WAM, agência de notícias estatal dos Emirados Árabes Unidos, confirmou que o Sheikh Mohammed e Netanyahu se reuniram no país, marcando a primeira vez que os emiratis reconheceram publicamente uma visita de Netanyahu.

Os dois líderes “discutiram as relações bilaterais entre os Emirados Árabes Unidos e Israel, bem como formas de fortalecê-las e desenvolvê-las ainda mais”, informou a agência de notícias WAM.

O gabinete do primeiro-ministro israelense afirmou que a reunião teve como foco “o fortalecimento das relações entre os dois países e os desafios regionais”.

A visita contou com a presença da esposa de Netanyahu, do chefe do Conselho de Segurança Nacional, do chefe do Mossad, de um secretário militar e de um assessor político, informou o gabinete.

A reunião também contou com a presença de um alto funcionário da segurança saudita, segundo duas fontes com conhecimento da visita, que falaram à CNN. De acordo com uma das fontes, as conversas também abordaram os recentes acontecimentos regionais, incluindo o grupo Houthi no Iêmen, a importante via navegável de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, bem como o Estreito de Ormuz.

A fonte acrescentou que Netanyahu disse na reunião que Israel avalia que o Irã poderia iniciar um ataque na região nas próximas semanas.

A rara viagem ocorreu exatamente um mês antes da eleição israelense de 27 de outubro e em meio a uma crescente controvérsia política em Israel devido a reportagens do Haaretz e do The New York Times que alegavam que o Sheikh Mohammed havia alertado Netanyahu sobre uma grande operação do Hamas dias antes do ataque de 7 de outubro de 2023.

A revista The Atlantic noticiou separadamente que o chefe da inteligência egípcia, Abbas Kamel, viajou para Israel em 26 de setembro de 2023 para alertar que Gaza "explodiria". E no domingo, o The Wall Street Journal informou que pelo menos três alertas egípcios foram transmitidos a Israel sobre Gaza, o último deles em um telefonema para Netanyahu, poucos dias antes do ataque.

'Estados hostis'

Netanyahu negou repetidamente ter recebido qualquer aviso e rejeitou as notícias como mentiras inventadas com o objetivo de prejudicá-lo eleitoralmente.

“Nunca me encontrei nem falei com o chefe da inteligência egípcia antes de 7 de outubro, e nenhum aviso me foi transmitido”, publicou o primeiro-ministro na rede social X na segunda-feira (28). “Estados e atores estrangeiros e hostis, incluindo estados árabes, estão por trás das falsas acusações de assassinato ritual.”

Mas seus rivais têm usado as alegações para fazer da responsabilização pela falha em impedir o ataque de 7 de outubro de 2023 um tema central da campanha.

Após relatos iniciais de um alerta do Sheikh Mohammed, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos afirmou, no início deste mês, que “não comenta notícias ou especulações da mídia sobre conversas entre líderes governamentais”, mas não negou a ligação. “Quando necessário, todas as informações relevantes foram e continuam sendo comunicadas entre as entidades competentes”, diz o comunicado.

Na época, uma fonte israelense familiarizada com o assunto disse que o gabinete de Netanyahu tentou fazer com que os Emirados Árabes Unidos negassem a reportagem, mas o país concordou apenas em emitir uma declaração sobre o compartilhamento de informações de inteligência.

O partido Likud de Netanyahu emitiu posteriormente uma declaração, publicada na conta X do primeiro-ministro, alegando "flagrante interferência estrangeira" nas eleições israelenses por parte do político palestino Mohammed Dahlan, radicado nos Emirados Árabes Unidos. O partido não apresentou provas para a alegação.

Nem Israel nem os Emirados Árabes Unidos mencionaram o suposto alerta de 7 de outubro em suas declarações de segunda-feira sobre a viagem de Netanyahu.

Os rivais de Netanyahu, por sua vez, aproveitaram o suposto aviso para renovar seus ataques à sua gestão dos eventos que antecederam o dia 7 de outubro.

Gadi Eizenkot, atualmente apontado como o principal adversário do primeiro-ministro nas próximas eleições israelenses, afirmou no sábado que a revelação sobre o alerta “não deixa margem para dúvidas: Netanyahu conduziu, com cegueira, arrogância e irresponsabilidade, o Estado de Israel ao maior desastre de sua história”.

Em maio, o gabinete de Netanyahu afirmou que o primeiro-ministro havia visitado secretamente os Emirados Árabes Unidos em março, durante os primeiros dias da guerra com o Irã, classificando o ocorrido como um "avanço histórico". O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, no entanto, negou a alegação na época, considerando-a "completamente infundada".

Durante a guerra, Israel também teria enviado um sistema de defesa antimíssil Domo de Ferro para os Emirados Árabes Unidos, e autoridades israelenses afirmaram que a cooperação em segurança entre os dois países atingiu níveis sem precedentes.

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