Netanyahu pede que Cruz Vermelha ajude reféns israelenses em Gaza

Gabinete do primeiro-ministro também negou crise de fome no território palestino

Dana Karni e Kara Fox, da CNN
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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, solicitou à Cruz Vermelha Internacional a ajuda para fornecer alimentos e assistência médica aos reféns israelenses mantidos em Gaza.

A medida ocorre em meio à fúria pública em Israel, que clamava pela libertação dos reféns no fim de semana, após a divulgação, pelo Hamas, de vídeos de propaganda mostrando dois reféns israelenses extremamente magros.

A CICV (Cruz Vermelha Internacional) em Israel e Territórios Ocupados declarou neste domingo (3), na rede social X: “Estamos consternados com os vídeos publicados recentemente de reféns israelenses mantidos em Gaza. Esta situação terrível precisa acabar.”

O gabinete de Netanyahu informou neste domingo que ele conversou com Julien Lerisson, chefe da delegação da Cruz Vermelha na região, para solicitar “seu envolvimento no fornecimento imediato de alimentos e assistência médica aos reféns”.

O escritório também repetiu a negação do premiê de que a fome seja generalizada no território, apesar do alerta de uma agência de segurança alimentar apoiada pela ONU, esta semana, de que “o pior cenário de fome” está se desenrolando em Gaza.

“O primeiro-ministro disse a Lerisson que a mentira do Hamas sobre a fome está ecoando pelo mundo, enquanto, na realidade, a fome sistemática está sendo infligida aos nossos reféns, que sofrem abusos físicos e psicológicos cruéis”, afirmou o gabinete do primeiro-ministro.

O Hamas se opôs a qualquer acesso aos reféns pela Cruz Vermelha, que apenas facilitou a libertação em períodos anteriores ao longo da guerra.

A CICV afirmou ser “extremamente decepcionante” não ter conseguido acesso aos reféns em Gaza.

“Mas a falta de sucesso não se deve de forma alguma à falta de desejo, à falta de cuidado, à falta de tentativas ou a motivos sinistros falsa e maliciosamente atribuídos a nós como organização”, declarou em um comunicado de março.

Durante a noite, ataques israelenses atingiram a sede do Crescente Vermelho Palestino em Gaza, matando um funcionário, segundo a organização. A CICV condenou o ataque.

A CNN entrou em contato com o exército israelense para obter comentários.

Entenda o conflito na Faixa de Gaza

Israel realiza intensos ataques na Faixa de Gaza desde outubro de 2023, após o Hamas ter lançado um ataque terrorista contra o país.

Entre 7 de outubro de 2023 e 13 de julho de 2025, o Ministério da Saúde de Gaza informou que pelo menos 58 mil palestinos foram mortos e mais de 138 mil ficaram feridos. Isso inclui mais de 7.200 mortos desde o fim do cessar-fogo em 18 de março deste ano.

O Ministério não distingue entre civis e combatentes do Hamas em sua contagem, mas afirma que mais da metade dos mortos são mulheres e crianças. Israel afirma que pelo menos 20 mil são combatentes.

A ONU (Organização das Nações Unidas) informou em 11 de julho deste ano que 798 pessoas foram mortas tentando obter alimentos desde o final de maio, quando a GHF (Fundação Humanitária de Gaza), sediada nos EUA, começou a distribuir alimentos. Dessas mortes, 615 foram registradas perto de locais da GHF e 183 nas rotas de comboios de ajuda humanitária, principalmente da ONU.

O Escritório Central de Estatísticas da Palestina disse em 10 de julho que a população de Gaza havia caído de 2.226.544 em 2023 para 2.129.724. Estima-se que cerca de 100 mil palestinos tenham deixado Gaza desde o início da guerra.

Entre 7 de outubro de 2023 e 13 de julho de 2025, segundo fontes oficiais israelenses, quase 1.650 israelenses e estrangeiros foram mortos em decorrência do conflito.

Isso inclui 1.200 mortos em 7 de outubro e 446 soldados mortos em Gaza ou ao longo da fronteira com Israel desde o início da operação terrestre em outubro de 2023.

Destes, 37 soldados foram mortos e 197 feridos desde o recrudescimento das hostilidades em março. Estima-se que 50 israelenses e estrangeiros permaneçam reféns em Gaza, incluindo 28 reféns que foram declarados mortos e cujos corpos estão sendo retidos.

Desde 18 de março deste ano, as Forças Armadas israelenses emitiram 54 ordens de deslocamento, abrangendo cerca de 81% da Faixa de Gaza.

O PMA (Programa Mundial de Alimentos) da ONU afirmou que isso significou que mais de 700 mil pessoas foram forçadas a se deslocar durante esse período.

Em 9 de julho, 86% da Faixa de Gaza estava dentro de zonas militarizadas israelenses ou sob ordens de deslocamento. Muitas pessoas buscaram refúgio em locais de deslocamento superlotados, abrigos improvisados, prédios e ruas danificados.