Neve não derrete e se transforma em hóspede indesejado em Nova York
Com temperaturas negativas, prefeitura tenta remover o gelo com a ajuda de máquinas apelidadas de "banheiras de hidromassagem"
Quase duas semanas após a nevasca que atingiu Nova York, as ruas da cidade ainda estão estão cobertas de gelo. Mas a neve branca e fofa, que rendeu belíssimas imagens há alguns dias, se transformou em pequenas montanhas de gelo sujas e inconvenientes.
Como é a praxe após fortes nevascas, a prefeitura mobilizou um enorme aparato para remover a neve das vias e das calçadas logo após a tempestade.
Mas o frio congelante não permitiu que a neve empurrada derretesse. Como resultado, montes de gelo escurecidos pelos resíduos das ruas agora fazem parte do cenário da cidade.
Desde a tempestade dos dias 24 e 25 de janeiro, a cidade tem enfrentado temperaturas negativas todos os dias, com máximas que não chegaram a ultrapassar 1ºC.
O prefeito Zohran Mamdani afirmou na terça-feira (3) que as equipes do Departamento de Saneamento de Nova York (DSNY) já desobstruíram mais de 52 mil faixas de pedestres, mais de 11 mil hidrantes e mais de 17 mil pontos de ônibus.
As operações continuam 24 horas por dia. E já foram derretidos mais de 68 milhões de quilos de neve.
O frio implacável também deixou vítimas. No início da semana, Mamdani afirmou que mais duas pessoas foram encontradas mortas após permanecerem ao relento em temperaturas negativas, elevando para 16 o número total de mortes ligadas à onda de frio.
A neve chegou a 30 centímetros em alguns lugares. No Central Park, bateu os 29 centímetros, superando a marca anterior de 25 centímetros, estabelecida em 1905, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia.
Banheira de hidromassagem
Sem a contribuição da natureza para dar conta de tanto gelo, a prefeitura está tentando derreter a neve por conta própria. E para isso, voltou a usar uma máquina de derretimento de gelo que não era usada desde 2021.
Apelidada de "banheira de hidromassagem", a Trecan Combustion 60-PD Snowmelter funciona como um forno gigante de derreter neve e é muito usada em aeroportos.
A neve é despejada em um tanque com água quente, rapidamente se transforma em líquido e é despejada em bueiros abertos. É uma alternativa mais rápida do que transportar a neve para fora da cidade.

Enquanto o problema não se resolve, os nova-iorquinos se adaptam à nova realidade.
Botas de neve e calçados impermeáveis viraram o novo "dress code". Só os mais ousados - ou desavisados - se arriscam com sapatos de solado liso e ficam se equilibrando para não escorregar e cair.
Em locais onde a neve não foi removida ou foi apenas parcialmente retirada, pedestres andam em fila indiana.
Os pontos de ônibus foram tomados pelo gelo, levando passageiros a esperar no meio da rua em alguns casos.
Aqueles que têm carro e não tiveram coragem de sair de casa para retirar a neve imediatamente após a nevasca, agora precisam fazer um esforço hercúleo para remover o gelo, que ficou duro como pedra.
E tudo indica que alguns preferiram partir para o transporte público, já que há carros ilhados pelo gelo em toda a parte.
O comentário geral entre os moradores da cidade, no transporte público, nos elevadores, nos mercados e bares é que o inverno de 2026 tem sido um dos mais rigorosos dos últimos anos, ainda que não tenha batido nenhum grande recorde oficial.
E o gelo, que insiste em não derreter, prova que o frio está particularmente incômodo neste ano.


