Nicolás Maduro assume terceiro mandato como presidente da Venezuela; acompanhe

Líder chavista tomou posse em meio a contestações sobre resultado eleitoral e tensão com a oposição

Da CNN Brasil
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, discursa durante o evento de encerramento da campanha eleitoral em 25 de julho de 2024 em Caracas, Venezuela  • Jesus Vargas/Getty Images
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Nicolás Maduro assumiu o terceiro mandato como presidente da Venezuela na Assembleia Nacional, em Caracas, nesta sexta-feira (10).

A posse acontece em meio a um cenário de turbulência política, no qual Maduro enfrenta contestações sobre resultado da eleição realizada em julho do ano passado e acusações de violência contra opositores.

Maduro prestou juramento e recebeu a faixa presidencial. Depois disso fez um discurso a autoridades e convidados.

"Que este novo mandato presidencial seja um período de paz, de prosperidade, de igualdade e da nova democracia", disse.

"Juro pela história, pela minha vida e cumprirei (meu mandato), cumpriremos", adicionou o chefe de Estado.

Maduro diz que há paz na Venezuela e critica líderes internacionais

Durante o discurso de posse, Maduro afirmou que há paz na Venezuela e que seu governo garantirá a soberania nacional.

"Eu disse que haveria paz, e há paz. E haverá paz. Somos guerreiros da história, e garantiremos a paz e a soberania nacional para sempre", destacou, adicionando que é um momento de "fortes emoções".

Durante a fala, ele também fez críticas a líderes internacionais, como Javier Milei, presidente da Argentina, e Álvaro Uribe Vélez e Iván Duque, ex-presidentes da Colômbia.

Confira a programação da posse de Maduro:

  • 12h30 - Maduro deixa o Palácio de Miraflores em direção à Assembleia Nacional
  • 13h00 - Maduro entra na Assembleia Nacional e cerimônia começa
  • 13h30 - Juramento e apresentação da faixa presidencial
  • 13h45 - Maduro discursa
  • 14h30 - Maduro deixa Assembleia Nacional
  • 16h00 - Maduro deve fazer segundo discurso ao público

EUA aumentam recompensa por prisão de Maduro

Também nesta sexta, os Estados Unidos impuseram sanções a oito autoridades venezuelanas e aumentaram para US$ 25 milhões a recompensa por informações que levem à prisão de Nicolás Maduro.

As novas autoridades sancionadas incluem o recentemente nomeado chefe da empresa petrolífera estatal venezuelana PDVSA, Hector Obregon, e o ministro dos Transportes da Venezuela, Ramon Velasquez.

Sanções internacionais contra autoridades da Venezuela

Além dos EUA, outros países anunciaram sanções contra autoridades da Venezuela.

O Reino Unido, por exemplo, anunciou medidas contra 15 pessoas associadas ao governo venezuelano, argumentando que elas são responsáveis ​​por violações de direitos humanos e por minar a democracia e o Estado de direito.

O Canadá, por sua vez, impôs sanções a 14 autoridades atuais ou que já integraram o governo da Venezuela, alegando que eles estiveram envolvidos em atividades que apoiaram violações de direitos humanos.

A União Europeia também anunciou medidas do tipo, incluindo 15 integrantes do Conselho Eleitoral Nacional, do judiciário e das forças de segurança.

Eleições presidenciais contestadas

Diversos países contestaram a vitória de Maduro nas eleições presidenciais de 28 julho de 2024. Tanto o líder chavista quanto Edmundo González, candidato da oposição, afirmam terem sido eleitos.

O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, órgão ligado ao governo chavista, declarou formalmente Maduro como vencedor, mas sem fornecer a contagem detalhada dos votos.

A oposição contestou e divulgou resultados que teriam sido recolhidos em todo o país, dizendo que eles provam que González teve uma vitória esmagadora.

Analistas independentes concluíram que as contagens publicadas pelos opositores são provavelmente válidas, e vários países, incluindo os Estados Unidos, reconheceram Gonzalez como presidente eleito nos últimos meses.

Milhares de venezuelanos protestaram contra os resultados logo após a votação, exigindo transparência. Muitos marcharam nas ruas e entraram em confronto com a polícia.

González, que se asilou na Espanha, prometeu voltar à Venezuela para formar um novo governo e tomar posse como presidente.