No G7, Lula diz que não quer Guerra Fria entre EUA e China
Presidente da República afirmou que o Brasil não pretende escolher lados na disputa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (17) que o Brasil não quer uma "Guerra Fria" entre China e Estados Unidos, defendendo maior negociação entre as nações.
"Defendemos que os EUA sejam os EUA, que a China seja a China e nós sejamos nós", comentou.
Durante coletiva de imprensa após a cúpula do G7, Lula afirmou que o mundo não deve repetir a lógica de divisão observada durante a disputa entre Estados Unidos e União Soviética.
“É dado que nós não queremos uma Guerra Fria entre Estados Unidos e China, porque nós sabemos o resultado da Guerra Fria entre a União Soviética e os Estados Unidos, que durante tantos anos limitou o mundo a ficar dependente apenas de duas posições”, disse.
O presidente também afirmou que o Brasil não pretende escolher lados na disputa entre as duas potências e destacou a importância da relação comercial com os chineses.
“Para nós, a China é importante. Eu não tenho nenhuma queixa da China”, declarou, ressaltando que o país asiático se tornou um parceiro estratégico para o Brasil devido ao volume de comércio e ao superávit registrado nas trocas entre os dois países.
Lula ainda argumentou que a crescente presença chinesa em regiões como América Latina e África ocorreu porque Estados Unidos e Europa deixaram espaços que acabaram sendo ocupados por Pequim.
“A China ocupou um espaço que estava vazio pela ausência dos europeus e pela ausência dos americanos. Então, não pode se queixar que a China está ocupando o espaço. O espaço estava vazio”, afirmou.
Segundo o presidente, o interesse brasileiro é ampliar investimentos e oportunidades econômicas, independentemente da origem dos parceiros.
“O que nós queremos é que quanto mais países estiverem interessados em fazer investimento nos nossos países, em comprar os nossos produtos e em contribuir para a industrialização, sejam bem-vindos”, concluiu.
Durante a cúpula, Lula também defendeu mudanças na relação dos países desenvolvidos com nações da África e da América Latina e criticou o que chamou de “esquecimento” dessas regiões ao longo das últimas décadas.
Segundo ele, esse cenário ajudou a abrir caminho para o avanço da influência econômica chinesa.


