Juíza sul-africana Navi Pillay vence Nobel da Paz 2026
O Comitê Norueguês do Nobel anunciou que jurista defensora dos direitos humanos é a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026, com a mensagem de fortalecimento do direito internacional
A juíza sul-africana Navanethem "Navi" Pillay ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2026 "por seus esforços na promoção da paz e do direito internacional", anunciou Comitê Nobel da Noruega nesta sexta-feira (9).
Antiga aliada de Nelson Mandela pelo fim do apartheid, ela esteve diretamente envolvida nas investigações do genocídio de Ruanda, anos anos 1990, e denunciou abusos de direitos humanos de palestinos por Israel na atual guerra em Gaza.
Com o prêmio deste ano, o Comitê Norueguês do Nobel “quer lembrar ao mundo que o Estado de Direito, nacional e internacional, sustenta o sistema que estabelecemos para a paz e a resolução não violenta de conflitos”, diz o presidente, Jørgen Watne Frydnes.
Esse sistema de direito internacional está “sob enorme pressão, e suas instituições estão sendo atacadas”, acrescentou Frydnes. "Um tema comum permeia desde seu trabalho inicial em defesa de Nelson Mandela e outros que se opuseram ao apartheid até sua atuação como juíza em alguns dos principais casos de tribunais internacionais de nossa época."
O Prêmio Nobel da Paz é o quinto concedido esta semana, depois dos prêmios de Literatura, Química, Física e Medicina. A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, foi a vencedora em 2025. Na segunda-feira (12), será anunciado o vencedor na área de Economia.
A medalha e a bonificação no valor de 12 milhões de coroas suecas, ou cerca de 1,2 milhão de dólares, serão entregues em Oslo no dia 10 de dezembro, aniversário da morte do industrial sueco Alfred Nobel, que instituiu o prêmio em seu testamento de 1895.
Quem é Navi Pillay
Navi Pillay é uma jurista sul-africana de origem indiana tâmil que atuou como Alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014.
Antes de se tornar uma referência internacional na área, participou do movimento contra o apartheid na África do Sul, defendendo ativistas contrários ao regime e contribuindo para a garantia de direitos de pessoas presas na Ilha Robben.
Pillay foi a primeira mulher negra a integrar o Tribunal Superior da África do Sul e a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia na província de Natal, onde nasceu.
Ao longo da carreira, também atuou como juíza do TPI (Tribunal Penal Internacional) e presidente do Tribunal Penal Internacional para Ruanda.
Segundo o Comitê Nobel, ela teve papel fundamental para garantir que crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio sejam julgados.
Em abril de 2015, tornou-se a 16ª comissária da Comissão Internacional contra a Pena de Morte. Ela também integra a Comissão de Informação e Democracia, iniciativa lançada pela organização Repórteres Sem Fronteiras.
Son a liderança de Pillay, uma comissão da ONU concluiu em 2025 que Israel havia cometido genocídio na Faixa de Gaza e que autoridades israelenses de alto escalão, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, haviam incitado esses atos. Israel classificou as acusações como escandalosas.
TPI
O Tribunal Penal Internacional, ou Tribunal de Haia, era um dos cotados para ganhar a láurea neste ano. A modalidade é possível para o Prêmio Nobel da Paz e 31 entidades já receberam o reconhecimento ao longo da história.
A corte abre processos contra indivíduos por crimes de guerra ou crimes contra a humanidade. Sua origem está no Estatuto de Roma, elaborado durante uma conferência na capital italiana em 1998.
Seus magistrados têm sido alvo do governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, após emitirem um mandado de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pelas ações militares na Faixa de Gaza.
O governo americano estaria, inclusive, se preparando para impor sanções ao TPI, informou o jornal americano Wall Street Journal em setembro, citando autoridades.
As sanções proibiriam a maioria das transações com o TPI após um período de carência de seis a sete meses, segundo a reportagem, que citou documentos analisados pelo jornal.
Segundo a reportagem, isso poderia paralisar o tribunal, impedindo-o de realizar transações em dólares, afim de isolá-lo do sistema financeiro global.


