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    Nova ‘onda’ do coronavírus pode atingir EUA no outono, mas há como pará-la

    Especialistas recomendam que sistema de saúde, empresas e governantes aproveitem retomada para se preparar para possível novo surto

    Drive-through de testes para o coronavírus operando no bairro do Queens, em Nova York, Estados Unidos
    Drive-through de testes para o coronavírus operando no bairro do Queens, em Nova York, Estados Unidos Foto: Luiza Duarte/ CNN

    Nicole Chavez, da CNN

    A pandemia do novo coronavírus pode estar se tornando mais lenta em várias partes dos Estados Unidos por causa dos esforços de distanciamento social mas ainda não planeje suas festas, férias ou idas ao escritório ainda. Especialistas dizem que o vírus não será coisa do passado tão cedo. 

    Uma segunda onda de casos da COVID-19 no outono é “inevitável”, disse Anthony Fauci, principal infectologista americano, à medida em que as pessoas tentam de forma crescente retomar a vida normal, e muitos estados flexibilizam ou revogam suas ordens de ficar em casa. 

    “Eu estou quase certo de que vai voltar, porque o vírus é tão transmissível e tão disperso no mundo todo”, disse Fauci durante uma conferência online com o Clube Econômico de Washington nesta semana. 

    Os americanos podem passar “por um outono ruim e um inverno ruim” se o país estiver despreparado, disse o médico, que é diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas. 

    Veja o que já se sabe sobre a possibilidade de uma segunda onda do vírus e as razões por trás disso. 

    Por que no outono? 

    Há vários aspectos do coronavírus que se mantém desconhecidos dos cientistas mas vírus mais antigos oferecem algumas pistas. 

    Pessoas costumam ser infectadas por quatro tipos comuns de coronavírus que foram identificados pela primeira vez no meio dos anos 1960, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês). E essas tendem a alcançar seu pico nos meses mais frios. 

    Greg Poland, professor de medicina e doenças infecciosas da Mayo Clinic, organização sem fins lucrativos de pesquisas médicas, disse que o SARS-CoV-2, o nome técnico do novo coronavírus que causa a COVID-19, tende a seguir a mesma tendência. 

    Se isso acontecer, uma segunda onda do vírus retornaria justamente no momento em que se inicia a temporada de gripe. A gripe tem sido uma constante ameaça para americanos e foi devastadora em anos recentes. O CDC estima que houveram ao menos 39 milhões de casos de gripe nos Estados Unidos e ao menos 24.000 mortes na temporada 2019-2020. 

    Poland, que dirige o grupo de pesquisa de vacinas da Mayo Clinic, avalia que a combinação de uma segunda onda da COVID-19 com a temporada de gripe pode criar “muita confusão” porque ambas as doenças sobrepõem se em termpos de sintomas e colocam tensão no sistema de saúde. 

    Esta não seria a primeira pandemia a retornar à força. Em 2009, os Estados Unidos passaram por uma onda de casos da gripe do vírus H1N1, conhecida como gripe suína, na primavera. Meses depois, uma segunda onda foi registrada no outono e no inverno, disse o CDC. 

    “Às vezes, não sempre… às vezes a segunda onda da pandemia é pior”, disse Poland, acrescentando que a pandemia do coronavírus se espalhou nos Estados Unidos pode também ir direto até a temporada de gripe. 

    Outro exemplo é a pandemia da gripe espanhola, de 1918, que matou 50 milhões de pessoas no mundo todo, sendo cerca de 675 mil americanos. Naquele momento, houve uma leve primeira onda na primavera nos EUA, mas uma letal segunda onda atingiu o país em setembro. 

    O panorama é que o novo coronavírus pode se espalhar provavelmente por ao menos outros 18 meses. Há diversos possíveis cenários para o curso da pandemia, mas o pior deles é uma segunda onda de infecções igual à da gripe espanhola de 1918, de acordo com um relatório do Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infecciosas da Universidade de Minnesota (CIDRAP, na sigla em inglês). 

    “Essa coisa não vai parar até infectar de 60 a 70% das pessoas”, diz Mike Osterholm, diretor do CIDRAP, em uma entrevista à CNN. Osterholm é coautor de um relatório do CIDRAP divulgado na quinta-feira (30), que recomenda que os Estados Unidos se preparem para o pior cenário, que inclua uma segunda onda de infecções pelo coronavírus no outono e no inverno. 

    O que pode ser feito sobre isso? 

    Especialistas em saúde dizem que nos próximos meses será um bom momento para se preparar para um potencial segundo surto do vírus. 

    Hospitais e clínicas devem repor seus estoques de equipamentos de proteção pessoal e capacidade de testagem. Pessoas deveria tentar ficar mais saudáveis se possível, continuar usando máscaras por um tempo e evitando aglomerações de não mais do que 10 pessoas, dizem vários especialistas à CNN

    A medida que as cidades reabram, oficiais locais devem fazer planos de rapidamente reinstituir as orientações de ficar em casa ou outras medidas de distanciamento social no futuro se for necessário, diz Poland, da Mayo Clinic. 

    Oficiais de saúde pelo país devem continuar focando em expandir a capacidade de testagem do novo coronavírus, mapeamento de contato e tratamento, afirmou Helen Boucher, chefe do departamento de geografica médica e divisão de doenças infecciosas na Tufts University Medical Center. 

    “Nós esperamos que tenhamos mais ferramentas na nossa caixa, talvez nós tenhamos alguns tratamentos para a COVID-19 até lá, talvez nós tenhamos melhores diagnósticos”, diz Boucher. 

    O governo Trump estimou que uma vacina está a entre 12 e 18 meses de distância, enquanto alguns líderes dizem que a linha do tempo pode ser mais rápida. 

    Melhorando a forma como os trabalhadores de saúde lidam com a pandemia do coronavírus será a chave, diz Boucher, para que o país esteja “tão preparado quanto pudermos estar” quando for o tempo de encarar um surto simultâneo da COVID-19 e da gripe tradicional. 

    Enquanto a maior parte dos especialistas acreditam que pessoas que se recuperaram da gripe terão alguma forma de imunidade, Poland diz que não está claro quão forte a imunidade poderá ser e quanto tempo poderá durar, enquanto os testes de anticorpos continuarem inconsistentes. 

    “Nós estamos colocando uma espécie de esperança, mas nós não temos as respostas ainda”, diz o médico. “Isso (o vírus) tem apenas 16 semanas de vida, então há muito o que não sabemos ainda”. 

    A droga antiviral experimental remdesivir foi aprovada na sexta-feira (1º) pelo FDA (Administração de Comida e Remédios, na sigla em inglês) para tratar pacientes hospitalizados com condições graves da COVID-19. 

    A droga, que foi o primeiro tratamento autorizado para a COVID-19, está longe de ser a cura, de acordo com um estudo financiado de forma independente do governo, mas pacientes que tomaram o remédio se recuperaram mais rápido do que os que não tomaram. 

    “Nós temos trabalho a fazer. Nós estamos procurando por outras terapias. Esse teste vai continuar”, o médico André Kalil, principal investigador por trás dos testes clínicos, disse a Elizabeth Cohen, da CNN, nesta semana. 

    O vírus já voltou em algum lugar? 

    Já. 

    Nas últimas semanas, Cingapura está vendo um crescimento dramático das infecções pelo coronavírus, com milhares de novos casos em agrupamentos de trabalhadores estrangeiros. 

    Cingapura inicialmente começou a sua resposta com uma aparente habilidade para conter as infecções nos primeiros três meses da pandemia do coronavírus. E então o número de casos explodiu em abril. 

    Desde 17 de março, o número total de casos em Cingapura subiu de 266 para mais de 17.000, segundo os números da Universidade Johns Hopkins. 

    Para controlar a disseminação, o governo isolou dormitórios, testou trabalhadores e moveu pacientes com sintomas para lugares próprios para quarentena. Essa é uma tarefa assustadora porque trabalhadores vivem em condições apertadas que tornam o distanciamento social quase impossível. 

    O governo também instituiu o que está sendo chamado de “circuit breaker”, um pacote de restrições e novas regras, combinado com fortes punições. 

    A cidade chinesa semiautonôma de Hong Kong tinha um número de casos relativamente pequeno quando viu um surto quando relaxou as restrições, em março.  

    Muitos casos foram importados do além-mar enquanto moradores de Hong Kong que haviam deixado a cidade, seja para trabalhar ou estudar fora, seja para buscar segurança quando a cidade parecia destinada a um grande surto, retornaram, trazendo o vírus de volta com eles.