Nova ponte entre China e Coreia do Norte será inaugurada nesta quinta
Estrutura de 3 quilômetros será a principal rota terrestre para o comércio entre os países, que buscam ampliar os laços econômicos apesar da cautela de Pyongyang com a dependência de Pequim

A China e a Coreia do Norte vão inaugurar nesta quinta-feira (15) a Nova Ponte sobre o Rio Yalu, em um movimento para ampliar o comércio bilateral.
O anúncio foi feito pela agência estatal chinesa Xinhua nesta quarta-feira (14), e os dois países realizarão uma cerimônia conjunta de abertura.
A inauguração sinaliza um novo avanço nas relações entre Pequim e Pyongyang, que buscam ampliar as trocas econômicas após um período de distanciamento provocado pelos testes nucleares norte-coreanos e pelas sanções internacionais que se seguiram. A aproximação ocorre enquanto a Coreia do Norte também amplia a cooperação econômica e estratégica com a Rússia.
A China concluiu sua parte da ponte em 2014, com o objetivo de impulsionar o comércio entre os dois países. No entanto, a Coreia do Norte não terminou as vias de acesso e as instalações alfandegárias, e o projeto ficou paralisado por mais de uma década.
Com cerca de 3 quilômetros de extensão e pistas duplas, a estrutura liga a cidade chinesa de Dandong à cidade norte-coreana de Sinuiju. A expectativa é que a ponte substitua a antiga Ponte da Amizade Sino-Coreana, de pista única, como principal rota para o transporte rodoviário de mercadorias entre os dois países.
A abertura ocorre semanas depois de a Coreia do Norte inaugurar sua primeira ponte rodoviária com a Rússia, sobre o rio Tumen. A nova ligação amplia as opções de transporte entre os países, em meio ao rápido avanço dos laços entre Pyongyang e Moscou desde o encontro entre os líderes dos dois países, em 2023.
A China é, de longe, o maior parceiro comercial da Coreia do Norte. As exportações chinesas para o país chegaram a US$ 2,3 bilhões no ano passado, o maior valor em seis anos e um aumento de 25% em relação a 2024. O montante, porém, ainda ficou abaixo dos níveis registrados antes do endurecimento das sanções da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2017.
Desde então, China e Rússia passaram a questionar a legitimidade de resoluções do Conselho de Segurança da ONU que os dois países haviam aprovado. Os dois também são acusados por países como Coreia do Sul e Estados Unidos de realizar comércio e outras trocas em desacordo com as sanções.
A abertura da ponte ganha importância adicional porque a Coreia do Norte busca ampliar suas relações externas após a pandemia e equilibrar os vínculos com seus dois principais parceiros econômicos e estratégicos: China e Rússia. Apesar da aproximação, Pyongyang mantém cautela diante do risco de aumentar sua dependência econômica de Pequim.
“Há sempre tanto cautela quanto cooperação nas relações entre Coreia do Norte e China”, afirmou Cho Han-bum, pesquisador sênior do Instituto Coreano para a Unificação Nacional, em Seul, à Reuters. Segundo ele, novos adiamentos da inauguração poderiam gerar tensões indesejadas entre os dois países.


