Número de mortes pode ser menor do que o previsto, afirmam EUA

Força-tarefa da Casa Branca para o combate ao coronavírus projetou, na semana passada, um número de mortos entre 100.000 e 240.000

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Duas autoridades de saúde dos Estados Unidos acreditam que o surto de coronavírus pode matar menos pessoas do que o previsto em projeções recentes, apontando para indícios de que o número de mortos estava começando a se estabilizar em Nova York, como também em outras regiões críticas. 

O cirurgião-geral, Jerome Adams, disse na terça-feira (07) que concordou com o diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), de que alguns modelos de pesquisa têm projetado números totais de mortes muito altos, embora nenhuma das projeções proponha uma estimativa alternativa.

A força-tarefa da Casa Branca para o combate ao coronavírus projetou, na semana passada, um número de mortos entre 100.000 e 240.000, afirmando que a possibilidade de conter mortes até esse limite era possível se medidas de isolamento social fossem respeitadas - implicando, portanto, que este número poderia ser ainda maior. 

Ainda, Adams disse ao Good Morning America, programa transmitido pela rede televisiva "ABC", que ele foi encorajado por dados recentes que apontam um possível "achatamento" do surto em algumas áreas, referindo-se à forma da curva quando as mortes são mostradas em um gráfico.

Questionado se ele acreditava que o número de mortos chegaria abaixo da dura projeção da força-tarefa da Casa Branca, Adams afirmou: "essa é absolutamente a minha expectativa".

"Sinto-me muito mais otimista novamente, porque estou enxergando um trabalho de mitigação", disse ele, acrescentando que concordou com o diretor do CDC, Robert Redfield, de que as mortes podem ficar aquém dos totais que alguns modelos mostraram.

Perto do platô

Na segunda-feira (6), os governadores de Nova York, Nova Jersey e Louisiana apontaram para os sinais preliminares de que o surto de coronavírus estaria no início de uma estabilização, porém, também alertaram contra a complacência.

O número de mortes por coronavírus ultrapassou 10.000 nos Estados Unidos, e os casos confirmados superaram 367 mil. 

O presidente Donald Trump - que antes havia afirmado que o coronavírus desapareceria milagrosamente - respondeu à recente projeção da Casa Branca dizendo que qualquer número de mortes inferior a 100.000 seria considerado um sucesso.

Redfield, diretor do CDC, disse à rádio KVOI na cidade de Tucson, Arizona, que o isolamento social ordenado por boa parte dos governadores estaduais foi efetivo.

"Se simplesmente fizermos o isolamento social, veremos esse vírus e o surto basicamente diminui. EU acho que é isso que você está vendo", afirmou Robert Redfield. "Acredito que vocês verão que os números serão, de fato, muito menores do que o previsto pelos modelos".

Um modelo de pesquisa da Universidade de Washington - um dos vários citados pelas principais autoridades de saúde - prevê 81.766 mortes por coronavírus nos EUA até 4 de agosto, uma queda de aproximadamente 12.000 em relação à uma projeção realizada no último final de semana.

A pandemia, sem precedentes, subverteu o cotidiano das pessoas em todo o mundo, matando mais de 74.000 e infectando, pelo menos, 1,3 milhão.

Os hospitais americanos estão sobrecarregados com os pacientes com Covid-19 devido às complicações respiratórias causadas pelo novo coronavírus. Há também relatos de escassez de pessoal, roupas de proteção e outros suprimentos, enquanto os pacientes agonizavam sozinhos, proibidos de receber convidados.

Mesmo assim, as taxas de novos casos e internações estavam diminuindo, sinalizando um possível pico em três epicentros dos Estados Unidos, segundo os governadores de Nova York e Nova Jersey na segunda-feira.

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, disse que as mortes em todo o Estado por COVID-19 atingiram cerca de 600 pessoas por dia nos últimos dias, a maior quantidade do país. No entanto, internações em unidades de terapia intensiva (UTI) e o número de pacientes  que utilizaram máquinas de ventilação para mantê-los respirando diminuíram, disse Cuomo.

Em Nova Jersey, o Estado com o segundo maior número de casos e mortes, o governador Phil Murphy afirmou que os esforços para reduzir a disseminação "estão começando a gerar frutos". O governador da Louisiana, John Bel Edwards, também expressou um otimismo tímido, observando que as novas internações hospitalares estavam diminuindo.