O que sabemos sobre as instalações nucleares iranianas atingidas pelos EUA

Instalações de Fordow, Isfahan e Natanz estão no centro das ambições nucleares do Irã e já foram alvos de ataques israelenses

Jessie Yeung, da CNN
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Os Estados Unidos atacaram três importantes instalações nucleares no Irã, disse o presidente Donald Trump no Truth Social na noite de sábado (21), enquanto o conflito Irã-Israel entra em sua segunda semana.

As instalações de Fordow, Isfahan e Natanz estão no centro das ambições nucleares do Irã e já foram alvos de ataques israelenses. Veja o que sabemos sobre elas.

Natanz

O complexo nuclear, localizado a cerca de 250 quilômetros ao sul da capital Teerã, é considerado a maior instalação de enriquecimento de urânio do Irã.

Analistas afirmam que ele é usado para desenvolver e montar centrífugas para enriquecimento de urânio, uma tecnologia essencial que transforma urânio em combustível nuclear.

Natanz possui seis edifícios acima do solo e três estruturas subterrâneas, duas das quais com capacidade para 50.000 centrífugas, de acordo com a organização sem fins lucrativos Nuclear Threat Initiative (NTI).

O local foi alvo do ataque inicial de Israel ao Irã, com fotos e análises de satélite mostrando que os ataques destruíram a parte aérea da Usina Piloto de Enriquecimento de Combustível de Natanz.

Trata-se de um local extenso, em operação desde 2003, onde o Irã vinha enriquecendo urânio com até 60% de pureza, de acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O urânio para armas é enriquecido a 90%.

Os ataques anteriores também cortaram a energia elétrica nos níveis inferiores onde as centrifugadoras estão armazenadas, disseram duas autoridades norte-americanas à CNN à épcoa. Como grande parte da instalação é subterrânea, o corte da energia destas partes é a forma mais eficaz de impactar equipamentos e máquinas subterrâneas.

Fordow

Ainda se desconhece muito sobre a dimensão e a natureza desta instalação secreta e fortemente protegida, localizada perto da cidade sagrada de Qom e enterrada nas profundezas de um conjunto de montanhas. Boa parte do que sabemos vem de um acervo de documentos iranianos roubados há anos pela inteligência israelense.

Estima-se que os salões principais estejam a uma profundidade de 80 a 90 metros abaixo do solo, tornando muito difícil destruir a instalação por via aérea.

Os EUA são o único país com o tipo de bomba necessária para atingir esta profundidade, disseram anteriormente responsáveis ​​israelenses e relatórios independentes. No entanto, os analistas alertaram que mesmo estas bombas podem não ser suficientes.

“O Irã pode converter o seu actual stock de urânio enriquecido a 60% em 233 kg de urânio para armas em três semanas na Central de Enriquecimento de Combustível de Fordow”, o suficiente para nove armas nucleares, de acordo com o apartidário Instituto para a Ciência e Segurança Internacional (ISIS).

Relatórios recentes da AIEA sugeriram que o Irã aumentou a produção de urânio enriquecido para um nível de 60% em Fordow. A instalação contém agora 2.700 centrifugadoras, segundo os especialistas e a AIEA.

Isfahan

Isfahan fica na região central do Irã e abriga o maior complexo nuclear do país.

A instalação foi construída com o apoio da China e inaugurada em 1984, segundo o NTI. 3.000 cientistas trabalham em Isfahan, e o local é “suspeito de ser o centro” do programa nuclear iraniano.

“Opera três pequenos reatores de investigação fornecidos pela China”, bem como uma “instalação de conversão, uma fábrica de produção de combustível, uma fábrica de revestimento de zircônio e outras instalações e laboratórios”, refere o NTI.