Vírus Nipah: o que se sabe sobre os casos detectados na Índia
Aeroportos de países asiáticos, como Tailândia e Singapura, retomaram protocolos de segurança usados durante a pandemia de Covid-19; OMS afirma que risco nacional, regional e global permanece baixo

Pelo menos dois casos do vírus Nipah foram detectados em dois enfermeiros no estado de Bengala Ocidental, na Índia, neste mês de janeiro, informou a OMS (Organização Mundial da Saúde). Até o momento nenhuma morte decorrente do vírus foi confirmada.
Segundo a emissora News-18, rede afiliada da CNN no país, as autoridades de saúde indianas buscam acalmar a população, afirmando que a situação está sob controle.
Aeroportos em países asiáticos reforçaram medidas de segurança de verificação de saúde, após os relatos. Tailândia, Singapura, Hong Kong, Malásia, Indonésia, Vietnã e Paquistão também reforçaram a triagem em aeroportos, com medidas semelhantes às feitas durante a pandemia de Covid-19.
A OMS explica que a transmissão entre pessoas é rara e geralmente se restringe a ambientes de saúde ou a contatos familiares próximos. Não há casos conhecidos de disseminação internacional por meio de viagens.
O que se sabe sobre os casos recentes
Conforme a OMS, os profissionais de saúde infectados são um homem e uma mulher de 25 anos, que trabalham no mesmo hospital particular.
A organização relata que eles apresentaram os primeiros sintomas no fim de dezembro, a infecção evoluiu rapidamente para complicações neurológicas. Os dois foram colocados em isolamento no início de janeiro.
O Ministério da Saúde da Índia informou esta semana que as autoridades identificaram e rastrearam 196 contatos ligados aos casos diagnosticados, nenhum deles apresentou sintomas e todos testaram negativo para o vírus.
Os casos foram inicialmente identificados como suspeitas de infecção pelo vírus Nipah em 11 de janeiro e confirmados no dia 13.
Na quarta-feira (21), o homem infectado estava se recuperando, enquanto a mulher estava em estado crítico.
Segundo a organização este é o sétimo surto de Nipah registrado na Índia, e o terceiro no estado de Bengala Ocidental, após casos em 2001 e em 2007. Os locais afetados fazem fronteira com Bangladesh, onde surtos do vírus ocorrem quase anualmente.

O vírus Nipah pode causar febre e inflamação cerebral e tem uma alta taxa de mortalidade. Não existe vacina. A transmissão de pessoa para pessoa não é fácil e geralmente requer contato prolongado com um indivíduo infectado.
A infecção viral ocorre principalmente de animais infectados, principalmente morcegos frugívoros, para humanos. Embora possa ser assintomático, o vírus Nipah costuma ser muito perigoso, com uma taxa de mortalidade que varia de 40% a 75%, dependendo da capacidade do sistema de saúde local para detecção e tratamento, afirma a OMS (Organização Mundial da Saúde).
O vírus foi identificado pela primeira vez há pouco mais de 25 anos, durante um surto entre criadores de suínos na Malásia e em Singapura, embora os cientistas acreditem que ele circule em raposas-voadoras, além de morcegos frugívoros, há milhares de anos.
A OMS classifica o Nipah como um patógeno prioritário. A Índia relata regularmente infecções esporádicas, particularmente no estado de Kerala, no sul do país, considerado uma das regiões de maior risco para o vírus no mundo.
Até dezembro de 2025, foram confirmados 750 casos de infecção por Nipah em todo o mundo, com 415 mortes, segundo a CEPI (Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias), que está financiando um estudo clínico de vacina para ajudar a conter o vírus.


