O que sabemos sobre o assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moise

Primeiro-ministro interino do país, Claude Joseph, disse que o presidente foi morto "por um grupo altamente treinado e fortemente armado"

Samantha Beech, da CNN

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O presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi morto em um ataque em sua residência depois que um grupo de indivíduos não identificados invadiu sua casa por volta da 1h, horário local.

O primeiro-ministro interino do país, Claude Joseph, disse que o presidente foi morto em um “ataque altamente coordenado por um grupo altamente treinado e fortemente armado”.

Aqui está o que já se sabe:

A primeira-dama haitiana Martine Moise foi baleada e ferida no ataque, e foi levada para Miami para tratamento. Sua condição é descrita como estável, mas crítica.

Os agressores não foram capturados e ninguém assumiu a responsabilidade, mas o embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Bocchit Edmond, disse que os assassinos eram “bem treinados” e considerados “mercenários”.

Os EUA negam que os agressores sejam agentes da Drug Enforcement Administration, depois que um vídeo da cena mostrou os agressores se apresentando como tais.

Os líderes mundiais condenaram o assassinato e estão pedindo unidade após o ataque, com o Conselho de Segurança da ONU previsto para se reunir na quinta-feira.

O Haiti declarou o “estado de sítio” pelos próximos 15 dias, o que significa que todas as fronteiras foram fechadas e a lei marcial foi temporariamente imposta, com os militares haitianos e a Polícia Nacional do Haiti (HNP) com poderes para fazer cumprir a lei.

Haiti
O presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi morto em um ataque em sua residência
Foto: Joseph Odelyn/AP

Duas semanas de luto nacional foram convocadas em homenagem a Moise, que deve começar quinta-feira e terminar em 22 de julho.

O ataque ocorre em meio a um cenário de instabilidade política, com muitos papéis importantes no governo do país já vazios e o parlamento efetivamente extinto. O movimento de oposição do país há muito clama pela renúncia de Moise.

A futura liderança do país ainda não está clara. Moise acabara de nomear um novo primeiro-ministro, o neurocirurgião Ariel Henry, em 5 de julho. No entanto, é seu antecessor – o primeiro-ministro em exercício Claude Joseph – quem assumiu o controle do país após a morte do presidente.

A violência criminal aumentou na capital, Porto Príncipe, no mês de junho, incluindo ataques à polícia e incêndios criminosos em casas de civis. Mais de 10.000 pessoas fugiram para abrigos temporários. O país também foi abalado por uma onda de sequestros no início deste ano.

Jovenel Moise durante entrevista coletiva em Porto Príncipe
Jovenel Moise durante entrevista coletiva em Porto Príncipe
Foto: REUTERS/Andres Martinez Casares

A Covid-19 também está em ascensão no Haiti, com o maior número de mortos já registrado em junho. A Diretora da Organização Pan-Americana da Saúde, Carissa F. Etienne, pediu no mês passado à comunidade internacional que ajudasse “com urgência” o país no combate ao vírus.

O Haiti está caminhando para as eleições e um polêmico referendo constitucional em setembro. O referendo foi defendido por Moise como uma oportunidade de fortalecer a presidência haitiana.

(Texto traduzido, leia original em inglês aqui)

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