O que sabemos sobre o caso de assédio envolvendo a presidente do México

Um homem foi preso após assediar Claudia Sheinbaum na terça-feira (4), enquanto ela caminhava a pé no centro histórico

Mauricio Torres, da CNN em Espanhol
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Um homem foi preso na terça-feira (4) na Cidade do México, horas depois de supostamente assediar a presidente mexicana Claudia Sheinbaum enquanto ela estava no centro histórico da cidade, perto do Palácio Nacional, sede do governo federal.

O homem também é suspeito de outros dois casos de assédio contra duas outras mulheres, segundo a Secretaria de Segurança local.

A prisão foi anunciada pela chefe de governo da Cidade do México, Clara Brugada, e pela Secretaria, que condenaram qualquer forma de violência contra as mulheres.

O incidente voltou a chamar a atenção do público para esse problema no México, um país onde sete em cada dez mulheres se sentem inseguras na cidade em que vivem, segundo a Pesquisa Nacional de Segurança Pública Urbana, publicada pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi).

 

O que aconteceu durante o incidente?

O assédio aconteceu enquanto a líder do México caminhava do Palácio Nacional em direção ao prédio do Ministério da Educação Pública (SEP), também localizado no Centro Histórico.

A presidente afirmou na quarta-feira (5), em sua coletiva de imprensa diária, que, enquanto caminhava, várias pessoas se aproximaram para cumprimentá-la e, sem que ela percebesse, um homem se aproximou dela por trás.

Vídeos que registraram o momento — amplamente divulgados nas redes sociais — mostram o homem se aproximando de Sheinbaum, abraçando-a pelo ombro direito, segurando-a pela cintura e tentando beijá-la na bochecha, até ser afastado por um segurança.

“Só mais tarde, quando vi os vídeos, é que percebi o que realmente aconteceu, porque conversei com muita gente. Sim, eu senti, obviamente, a proximidade dessa pessoa que estava, repito, completamente bêbada, não sei se estava sob efeito de drogas”, disse Sheinbaum sobre o incidente, que ela descreveu como um “episódio de assédio”.

A presidente também informou que apresentou uma queixa à Procuradoria da Cidade do México porque, como explicou, muitas outras mulheres enfrentam assédio nas ruas todos os dias.

“Isso é algo que não deveria acontecer em nosso país, e não estou dizendo isso como presidente, mas como mulher, e representando as mulheres mexicanas, isso não deveria acontecer. Ninguém pode violar nosso espaço pessoal, ninguém”, argumentou ela.

Quem é o detido?

O homem foi preso na noite de terça-feira (4), horas depois do incidente com Sheinbaum, conforme relatado pela prefeita da Cidade do México.

A Secretaria de Segurança local afirmou em um comunicado que o homem também havia sido acusado de assediar outras mulheres na região do Centro Histórico.

Segundo a Secretaria, uma mulher de 25 anos relatou à polícia que o homem a havia tocado de forma inapropriada, e ele foi preso minutos depois, naquela mesma noite.

O homem, de 33 anos, está envolvido em um suposto ato de assédio contra uma terceira mulher e foi encaminhado ao Ministério Público da Cidade do México para apuração de sua situação jurídica e prosseguimento das investigações.

Após as denúncias apresentadas contra o homem e sua prisão, o Ministério Público deve apresentá-lo perante um juiz para que este formalize as acusações, cabendo ao juiz decidir se há ou não provas suficientes para abrir um processo criminal.

Quais foram as reações?

O caso gerou inúmeras reações no México, que se concentraram principalmente no apoio a Sheinbaum e na condenação da violência contra as mulheres no país.

A Secretária da Mulher do Governo Federal, Citlalli Hernández, publicou na terça-feira uma declaração no jornal X — assinada por dezenas de funcionárias públicas e legisladoras — na qual criticou o ocorrido.

“O assédio, a perseguição, o abuso e qualquer tipo de violência contra as mulheres não podem ser ignorados ou minimizados; devemos denunciá-los e combatê-los”, disse ela.

Sheinbaum relatou na quarta-feira que pediu a Hernández para revisar a legislação sobre assédio a fim de verificar se é considerado crime em todos os 32 estados do país.

Entre janeiro e setembro deste ano, a linha de emergência recebeu quase 10 mil ligações relatando possíveis casos de assédio ou agressão sexual no país, segundo o relatório oficial mais recente sobre violência contra a mulher.