O que são os Acordos de Abraão e por que são importantes para Israel?

EUA querem que reconhecimento de Israel por países árabes seja um dos objetivos finais da guerra em Gaza

Da Reuters
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Os Acordos de Abraão, que normalizaram as relações diplomáticas entre Israel e alguns estados árabes, estão sob os holofotes depois de Israel ter atacado a base política do grupo palestino Hamas em Doha, capital do Catar.

O país é aliado dos Estados Unidos e um dos principais mediadores das negociações de cessar-fogo na Faixa de Gaza.

Veja detalhes sobre os acordos:

Quem assinou os Acordos de Abraão?

Os Acordos de Abraão são um conjunto de acordos para normalizar as relações com Israel. Os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein assinaram durante o primeiro mandato do presidente dos EUA, Donald Trump, em 2020, e foram os primeiros Estados árabes a reconhecer Israel em 25 anos. Marrocos e Sudão seguiram o exemplo.

Jared Kushner, genro de Trump, ajudou a intermediar os acordos.

As autoridades palestinas disseram que se sentiram traídas pelos seus irmãos árabes por terem alcançado acordos com Israel sem primeiro exigirem avanços na criação de um Estado palestino.

A maior vitória para Israel foi o acordo com os Emirados Árabes Unidos, um grande produtor global de petróleo e centro comercial com influência diplomática em todo o Oriente Médio.

Desde então, Israel e os Emirados Árabes Unidos desenvolveram estreitos laços econômicos e de segurança, incluindo a cooperação em defesa e um pacto de livre comércio. Mas a relação passa por um momento de tensão ultimamente.

Os Emirados Árabes Unidos alertaram Israel que a anexação na Cisjordânia ocupada seria uma violação que ameaça o acordo.

O que esperar para o futuro?

Os Estados Unidos mantém a esperança de que o impulso em áreas como o comércio e investimentos levaria à expansão do acordo para outros Estados árabes, sobretudo a Arábia Saudita, o mais rico de todos.

Mas a Arábia Saudita insistiu que não pode normalizar laços com Israel sem um caminho claro para a criação de um Estado palestino, que o governo de Israel rejeita.

Desde que os combatentes do Hamas atacaram Israel em outubro de 2023, desencadeando uma guerra que matou milhares de palestinos em Gaza, os Estados árabes afastaram-se ainda mais de Israel.

Ainda assim, sob o comando do ex-presidente Joe Biden e de Trump, desde que ele voltou ao cargo este ano, os Estados Unidos defendem que um reconhecimento árabe mais amplo de Israel seja um objetivo final em qualquer acordo regional para acabar com a guerra.

Trump disse no mês passado que era importante que mais países do Oriente Médio aderissem aos Acordos de Abraão, dizendo que isso garantiria a paz na região.

O governo Trump está a discutindo com o Azerbaijão a possibilidade de incluir o país majoritariamente muçulmano nos acordos, junto com alguns aliados da Ásia Central, para aprofundar os seus laços com Israel, segundo fontes com conhecimento do assunto.