Onda de calor assola Europa; continente enfrenta verão extremo e incêndios

Secas estão se tornando mais frequentes no sul da Europa. Autoridades ambientais alertam que a região corre maior risco com os impactos das mudanças climáticas

Bombeiros lutam contra o fogo durante um grande incêndio florestal que atingiu uma região turística mediterrânea na costa sul da Turquia, perto da cidade de Manavgat (29/07/2021)
Bombeiros lutam contra o fogo durante um grande incêndio florestal que atingiu uma região turística mediterrânea na costa sul da Turquia, perto da cidade de Manavgat (29/07/2021) Foto: Ilyas Akengin/AFP/Getty Images

Chris Liakos, Laura Smith-Spark e Isil Sariyuce, CNN

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O calor extremo e os incêndios florestais continuaram a atingir partes do sul da Europa nesta quarta-feira (4), um dia depois que a temperatura máxima na Grécia atingiu 47,1 graus Celsius – temperatura um pouco menor que as mais altas já registradas no continente europeu.

A Grécia está enfrentando uma de suas piores ondas de calor em décadas. O país permanece em alerta máximo, enquanto continua a lutar contra incêndios em todas as regiões.

Alertas de calor também foram emitidos para a Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Itália, Romênia, Sérvia e Turquia. Incêndios florestais com vítimas atingiram partes da Turquia nos últimos dias e forçaram a evacuação de resorts turísticos.

Moradores da capital grega, Atenas, foram advertidos a ficar em casa com as janelas fechadas por causa da má qualidade do ar, após um incêndio na terça-feira (3) nos subúrbios ao norte da capital. O calor extremo obrigou o Ministério da Cultura do país a fechar a Acrópole e outros locais históricos do meio-dia às 17h esta semana.

O Corpo de Bombeiros da Grécia afirmou nesta quarta-feira que foi chamado para intervir em 78 incêndios florestais nas últimas 24 horas. Um incêndio atingiu a grande ilha de Evia, a nordeste de Atenas, nesta quarta-feira.

Os incêndios florestais também continuaram na terça-feira em partes da Turquia, alimentados pelo calor extremo. Pelo menos oito pessoas morreram como resultado dos incêndios nas províncias de Mugla e Antalya na terça-feira, informou a agência de notícias estatal turca Anadolu.

A onda de calor da região também provocou incêndios florestais devastadores na semana passada na Espanha, Grécia e na ilha italiana da Sardenha e menos de um mês depois que uma inundação catastrófica no norte da Europa provocou mais de 200 mortes.

Especialistas dizem que eventos climáticos extremos, como as enchentes na Alemanha, Bélgica e Holanda, bem como a recente onda de calor e incêndios florestais no Canadá e nos Estados Unidos, são um sinal dos impactos das mudanças climáticas.

As secas estão se tornando mais frequentes e mais severas no sul da Europa. As autoridades ambientais alertaram que a região corre o maior risco com os impactos das mudanças climáticas no continente.

Os meteorologistas da CNN afirmaram que a atual onda de calor na região duraria pelo menos até sexta-feira (6), com o pico de calor chegando na terça-feira e na quarta-feira para a Grécia.

Esperava-se que as temperaturas voltassem a ficar 10 graus acima da média na quarta-feira, acima de 40°C, na Grécia e no oeste da Turquia.

O Serviço de Monitoramento da Atmosfera Copernicus (CAMS, na sigla em inglês), um programa da UE, afirmou na quarta-feira que a região do Mediterrâneo está evoluindo para um “foco de incêndio” e alertou que os atuais incêndios estavam emitindo grandes quantidades de poluição de fumaça na atmosfera.

“Na Turquia e no sul da Itália, os dados do CAMS mostram que as emissões e a intensidade dos incêndios florestais estão aumentando rapidamente, e países como Marrocos, Albânia, Grécia, Macedônia do Norte e Líbano também são afetados”, disse o comunicado à imprensa.

“Plumas de fumaça dos incêndios são claramente visíveis em imagens de satélite cruzando a Bacia Oriental do Mediterrâneo a partir do sul da Turquia”.

Um homem guia o gado para longe de um incêndio na Turquia
Um homem guia o gado para longe de um incêndio em Mugla, distrito de Marmaris, na Turquia (02/08/2021)
Foto: Yasin Akgul/AFP/Getty Images

‘Fogo extremamente difícil’

Na Grécia, mais de 200 locais atingiram 40°C na terça-feira (3). A temperatura máxima de 47,1°C, registrada em Langadas em Thessaloniki, foi inferior a um grau do recorde europeu de 48°C registrado em Atenas, na Grécia, em 1977.

O serviço meteorológico da Grécia avisou que o risco de incêndio continua muito alto na quarta-feira e quinta-feira (5). “As condições de calor prolongado que prevalecem em nosso país aumentaram a inflamabilidade do material combustível morto a níveis extremamente altos em quase todo o território, tornando qualquer uso de fogo extremamente perigoso”, disse.

O incêndio nos arredores de Atenas está quase todo sob controle, mas ainda há temores de que possa aumentar novamente, de acordo com as autoridades.

O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, afirmou nesta quarta-feira que não houve mortes e que o sistema de evacuação de emergência funcionou. Ele ressaltou que os próximos dias serão cruciais por causa da onda de calor e que todos devem permanecer em alerta.

Várias áreas residenciais foram evacuadas, de acordo com o Corpo de Bombeiros grego. Como o incêndio se espalhou na terça-feira ao norte da capital, as autoridades pediram aos moradores que deixassem os subúrbios de Varimpompi, Adames e Thrakomakedones, de Atenas, bem como a Vila Olímpica dos Jogos de Atenas. O incêndio também ameaçou o Palácio Real de Tatoi.

Os bombeiros também debelaram incêndios nas ilhas gregas de Kos e Evia, bem como na península do Peloponeso, enquanto moradores foram evacuados.

“As horas são críticas e as condições que enfrentamos extremamente perigosas”, disse o vice-ministro da Proteção Civil da Grécia, Nikos Hardalias, na terça-feira. “Nosso país vive um fenômeno climático extremo nos últimos dias, uma das piores ondas de calor dos últimos 40 anos”.

Ao atualizar jornalistas sobre o incêndio na área de Atenas nesta quarta-feira, Hardalias disse que uma estimativa inicial era de que 76 casas e 27 comércios foram seriamente danificados. Mais de 70 pessoas foram levadas ao hospital com problemas respiratórios desde terça-feira, acrescentou o ministro da Saúde grego, Vassilis Kikilias.

Um incêndio atinge uma casa na área de Adames, no norte de Atenas, na Grécia
Um incêndio atinge uma casa na área de Adames, no norte de Atenas, na Grécia (03/08/2021)
Foto: Michael Varaklas/AP

‘Solidariedade europeia’

A Comissão Europeia disse que está trabalhando 24 horas por dia para mobilizar apoio para operações de combate a incêndios nos países mais atingidos. Dois aviões de combate a incêndios estão sendo enviados pela França, nesta quarta-feira, para áreas afetadas na Itália, disse um comunicado à imprensa, e dois aviões de combate a incêndios do Chipre estão prestando apoio à Grécia.

A Holanda e a República Tcheca estão enviando helicópteros para a Albânia, e a Eslovênia está destacando 45 bombeiros para a Macedônia do Norte, acrescentou.

A Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, publicou no Twitter que acompanha a situação com grande preocupação. “A solidariedade europeia está trabalhando para combater esses incêndios terríveis. Estamos com vocês”, disse ela.

Vários incêndios florestais atingem o leste e nordeste da Macedônia do Norte, de acordo com o Centro de Coordenação de Resposta de Emergência da Comissão Europeia (ERCC, na sigla em inglês), forçando evacuações da cidade de Kochani.

A Albânia sofreu mais de 120 incêndios nas últimas semanas após altas temperaturas. A região de Vlora enfrenta a situação mais crítica, disse o ERCC.

A associação de agricultores italianos, Coldiretti, disse nesta quarta-feira que sua análise dos dados de incêndios indicava que grandes incêndios triplicaram no verão de 2021 (no hemisfério norte) em comparação com a média histórica de 2008 a 2020, causando prejuízos no valor de milhões de euros ao meio ambiente, à economia, trabalho e turismo.

As chamas queimaram dezenas de milhares de hectares de bosques e matagais mediterrâneos em todo o país, disse, deixando um rastro de animais mortos e árvores carbonizadas, olivais e pastagens destruídos, além de ameaçar áreas urbanas.

‘Situação é muito séria’

Enquanto isso, a Turquia estava enfrentando 11 incêndios em seis províncias na terça-feira (3), segundo o ministro da Agricultura e Silvicultura, Bekir Pakdemirli, em publicação no Twitter.

Um total de 152 incêndios em 32 províncias foram controlados na Turquia nos últimos seis dias, disse ele. Em uma entrevista coletiva do governo em Marmaris, Pakdemirli disse que o distrito da província de Mugla registrou a temperatura mais alta de todos os tempos. Foram 43,5°C, com umidade muito baixa – menos de 10% – e velocidade do vento a 65 quilômetros por hora.

Mais de 2 mil casas foram danificadas em Antalya e outras 347 em Mugla, disse o ministro do Interior, Suleyman Soylu, em entrevista coletiva.

O prefeito de Milas, uma cidade no sudoeste da Turquia, disse que as chamas dos incêndios em curso chegaram perto de uma usina elétrica na terça-feira à noite.

“A situação é muito séria”, disse o prefeito Muhammet Tokat. “As chamas chegaram perto de uma usina termelétrica. Se possível, um avião ou helicóptero com visão noturna deve ser direcionado para a área imediatamente”.

Reportagem de Chris Liakos, de Kefalonia; Isil Sariyuce, de Istambul, e Laura Smith-Spark, da CNN, de Londres. Sharon Braithwaite, Taylor Ward, Monica Garrett e Livia Borghese, da CNN, também contribuíram para a reportagem.

Texto traduzido, leia o original em inglês.

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