"Onda está a favor da Ucrânia", diz correspondente da CNN Brasil no país

Américo Martins enviou vídeo da linha de frente mostrando como drones e tecnologia própria estão mudando o curso do conflito

João Scavacin, da CNN Brasil, em São Paulo
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O correspondente internacional da CNN Brasil, Américo Martins, afirmou que a “onda está a favor da Ucrânia” após percorrer regiões próximas à linha de frente da guerra e enviar vídeos diretamente do leste do país.

Em relato feito a partir de um pequeno vilarejo localizado a apenas 17 quilômetros das tropas russas, o jornalista destacou o papel da tecnologia e dos drones no atual momento do conflito.

A cobertura foi realizada diretamente da linha de frente e, segundo Américo, revelou um cenário bastante diferente daquele observado durante sua última visita à Ucrânia, há cerca de dois anos e meio.

“Essa guerra, neste momento, é uma guerra muito dominada pela tecnologia”, enfatizou o correspondente.

Segundo ele, os drones passaram a desempenhar funções centrais tanto em operações ofensivas quanto no abastecimento e deslocamento de militares.

O jornalista destacou que a Ucrânia vem ampliando a produção nacional desses equipamentos, incluindo modelos aéreos e terrestres.

“Os ucranianos estão sendo mais inovadores, mais rápidos, mais determinados neste processo”, relatou.

Além da produção de drones, Américo apontou avanços importantes no sistema antiaéreo ucraniano. De acordo com o correspondente, a estratégia de Kiev busca ampliar sua capacidade própria de defesa e reduzir a dependência da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e dos Estados Unidos, embora o esforço continue sendo financiado em grande parte por Washington e pelos países da União Europeia.

Outro aspecto compartilhado foi a intensificação dos ataques ucranianos em território russo. Segundo Américo, a Ucrânia lançou recentemente mais de 500 drones contra Moscou, naquele que foi considerado pela mídia russa o maior ataque à capital do país em mais de um ano.

“A ideia dos ucranianos é fazer com que a elite russa perceba o custo da guerra e force Vladimir Putin a abandonar a guerra”, explicou.

Para o correspondente, a estratégia ainda busca obrigar a Rússia a dispersar seus sistemas de defesa, criando vulnerabilidades em outras áreas do campo de batalha.

Dados do Instituto para o Estudo da Guerra, organização independente sediada em Washington, apontam que a Ucrânia recuperou mais território do que a Rússia avançou em abril. O resultado marcou a primeira perda líquida de território russo desde agosto de 2024.

“A maré dessa guerra está mudando agora, está mudando a favor dos ucranianos”, afirmou.

Além disso, os ataques promovidos por Kiev têm provocado impactos na infraestrutura russa. Instalações petrolíferas, estruturas militares e aeroportos foram atingidos, reduzindo a capacidade de produção de energia e petróleo da Rússia.

Por outro lado, o correspondente comentou que o apoio político do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente russo, Vladimir Putin, é apontado como um fator que reduz os incentivos para que Moscou participe de negociações em termos considerados mais realistas pela Ucrânia. Conforme a análise apresentada, Trump tem pressionado Kiev a aceitar concessões exigidas pela Rússia.

Durante a cobertura, Américo também enfrentou momentos de tensão. Enquanto gravava um segundo vídeo enviado da Ucrânia, uma sirene de alerta para ataque com drones foi acionada, obrigando o correspondente a interromper rapidamente a transmissão.

Ao longo da viagem, o jornalista percorreu o país de oeste a leste, passando por Lviv, Kiev e Kharkiv. Esta última foi descrita por ele como a cidade mais bombardeada da guerra e que, antes do conflito, era a segunda maior da Ucrânia.

Após chegar ao vilarejo localizado a 17 quilômetros das forças russas, Américo relatou ter observado uma diferença marcante no comportamento da população. De acordo com ele, quanto mais próxima da linha de frente, maior é a disposição dos moradores para continuar resistindo à invasão.

“Aqui, eles estão determinados a lutar”, concluiu o correspondente, que retornava ao Reino Unido em uma viagem de trem com duração de 31 horas.