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    ONU dá “alerta vermelho” após mundo quebrar recordes de calor em 2023

    Temperaturas médias atingiram o nível mais alto em 174 anos; aquecimento do oceano também é crítico

    As ondas de calor são caracterizadas por temperaturas cinco graus acima da média por mais de cinco dias seguidos
    As ondas de calor são caracterizadas por temperaturas cinco graus acima da média por mais de cinco dias seguidos © Philippe LEJEANVRE/GettyImages

    Emma Fargeda Reuters

    Todos os principais recordes climáticos globais foram quebrados no ano passado, e 2024 pode ser ainda pior, segundo alertou a Organização Meteorológica Mundial (OMM) nesta terça-feira (19).

    Além disso, o chefe da organização expressou ainda mais preocupação com o aquecimento dos oceanos e a redução do gelo marinho.

    A agência meteorológica da ONU afirmou em seu relatório anual sobre o estado do clima global que as temperaturas médias atingiram o nível mais alto em 174 anos de documentação por uma margem clara, atingindo 1,45 °C acima dos níveis pré-industriais.

    As temperaturas dos oceanos também atingiram o índice mais alto em 65 anos de dados, com mais de 90% dos mares enfrentando condições de ondas de calor durante o ano, disse a OMM, o que prejudica os sistemas alimentares.

    “A comunidade da OMM está soando o Alerta Vermelho ao mundo”, advertiu a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, que assumiu o cargo em janeiro.

    “O que testemunhamos em 2023, especialmente com o calor sem precedentes dos oceanos, o recuo dos glaciares e a perda de gelo marinho na Antártida, é motivo de particular preocupação”, ressaltou.

    Mais tarde, ela pontuou aos repórteres que o aquecimento do oceano é particularmente preocupante, porque é “quase irreversível”, possivelmente levando milênios para reverter o quadro.

    “A tendência é realmente muito preocupante e isso se deve às características da água que mantêm o conteúdo de calor por mais tempo que a atmosfera”, avaliou.

    As alterações climáticas, impulsionadas pela queima de combustíveis fósseis, juntamente com o surgimento do padrão climático natural El Niño, levaram o mundo para um território recorde em 2023.

    O chefe de monitoramento climático da OMM, Omar Baddour, disse aos repórteres que há “alta probabilidade” de que 2024 estabeleça novos recordes de calor, destacando que o ano seguinte ao El Nino é tipicamente ainda mais quente.

    O relatório desta terça-feira mostrou uma grande diminuição no gelo marinho da Antártica, com o nível máximo medido em 1 milhão de km² abaixo do nível anterior – uma área aproximadamente equivalente ao tamanho do Egito.

    Essa tendência, combinada com o aquecimento dos oceanos, que provoca a expansão da água, contribuiu para mais do dobro da taxa de subida do nível do mar na última década, em comparação com o período 1993-2002, afirmou.

    O aquecimento dos oceanos se concentrou no Atlântico Norte, com temperaturas médias 3 °C acima da média no final de 2023, informa o relatório.

    As temperaturas mais altas dos oceanos afetam os delicados ecossistemas marinhos e muitas espécies de peixes fugiram desta área para o norte em busca de temperaturas mais frias.

    Saulo, uma meteorologista argentina que prometeu fortalecer os sistemas globais de alerta para desastres climáticos, concluiu que espera que o relatório aumente a conscientização sobre a “necessidade vital de aumentar a urgência e a ambição da ação climática”.

    “É por isso que falamos sobre o Alerta Vermelho, porque devemos cuidar das pessoas e de como elas sofrerão com esses eventos mais frequentes e mais extremos”, ressaltou aos repórteres.

    “Se não fizermos nada, as coisas vão piorar e isso será nossa responsabilidade”, finalizou;