Na ONU, Trump fala em "aniquilar" Irã e em acordo após eleições americanas
Presidente americano usou discurso na Assembleia Geral para criticar país do Oriente Médio e pedir isolamento internacional do Irã até que abram o Estreito de Ormuz para escoamento de petróleo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começou seu discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) defendendo a economia em seu governo e as ações militares no Oriente Médio, falando que a República Islâmica do Irã é o "maior patrocinador do terrorismo do mundo" e que pode ser aniquilada.
Ele pediu nesta terça-feira (22) o isolamento econômico total do Irã e não deu sinais de que pretende retomar as negociações durante a Assembleia Geral da ONU. Ao mesmo tempo, afirmou acreditar que um acordo será alcançado depois das eleições de Meio de Mandato americanas, em novembro. Ele ainda afirmou ter acabado com o programa nuclear iraniano.
O Irã havia indicado anteriormente a possibilidade de retomar as negociações para encerrar o conflito, que já dura quase sete meses, enquanto os presidentes dos dois países devem participar da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Uma autoridade iraniana de alto escalão afirmou à Reuters que Teerã poderia reabrir o Estreito de Ormuz para o transporte marítimo no Golfo em até sete dias caso os Estados Unidos cumprissem as exigências do Irã para reduzir a pressão militar e suspender um bloqueio americano aos portos iranianos. Segundo a autoridade, Teerã transmitiu sua mais recente proposta a Washington por meio de mediadores na semana passada.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou ao programa “Today”, da NBC, que os Estados Unidos estão abertos a conversar com os iranianos, “especialmente se houver perspectivas de que isso leve a algo positivo e, em última instância, alcance o objetivo de tudo isso”.
Mas, em um discurso combativo na ONU, Trump não indicou disposição para fazer concessões.
“Peço a todas as nações que ajudem a impor o isolamento econômico total do Irã”, afirmou.
“Acredito que fecharemos um acordo logo após a eleição, porque não faz sentido que eles não o façam. Eles estão esperando para ver como eu me saio nas Eleições de Meio de Mandato.”
Irã vê “oportunidade de ouro” para retomar diplomacia
A autoridade iraniana de alto escalão afirmou anteriormente à Reuters que os Estados Unidos deveriam “anunciar que querem resolver a questão diplomaticamente, tornar isso oficial e, então, concordar com um cronograma”.
“A Assembleia Geral da ONU é uma oportunidade de ouro para os Estados Unidos retornarem à diplomacia”, disse a autoridade.
Não há registro de reuniões presenciais entre Irã e Estados Unidos desde julho, quando um acordo provisório para encerrar a guerra fracassou semanas após ter sido assinado.
Em um novo sinal da posição firme de Teerã, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, que chefiou a equipe de negociação do país em conversas anteriores, afirmou que o Irã jamais se renderá.
“Trump precisa entender que não pode impor seu poder ao povo iraniano e às suas forças armadas”, disse Qalibaf.
Trump deveria se reunir nesta terça-feira com os líderes dos seis países árabes do Golfo: Bahrein, Kuwait, Catar, Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Todos estão interessados em restabelecer o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto dos embarques mundiais de petróleo e gás antes da guerra, mas também têm receio de conceder poder demais ao antigo rival, o Irã.
Com exceção de Omã, todos os países abrigam grandes bases militares americanas, que foram repetidamente atacadas pelo Irã durante a guerra.

A Arábia Saudita, que abriga a maior dessas bases, foi arrastada ainda mais para o conflito neste mês, depois que combatentes houthis alinhados ao Irã avançaram no Iêmen, derrotaram forças de um governo apoiado por Riad e ameaçaram as exportações sauditas de petróleo pelo Mar Vermelho.
Arábia Saudita busca apoio dos EUA contra houthis
Houve algum alívio nos mercados de petróleo nesta terça-feira, depois que fontes disseram à Reuters que a Arábia Saudita havia retomado as operações de seu Oleoduto Leste-Oeste e poderia voltar a exportar petróleo em poucas horas, embora em volume reduzido, a partir do porto de Yanbu, no Mar Vermelho.
O oleoduto é a principal rota alternativa da Arábia Saudita para exportar petróleo sem depender do Estreito de Ormuz e havia sido fechado após ataques neste mês que Riad atribuiu a aliados do Irã no Iraque.
Os houthis expulsaram forças apoiadas pela Arábia Saudita de áreas próximas ao Mar Vermelho e ao Estreito de Bab el-Mandeb, na entrada da via marítima, e também atacaram diretamente o território saudita com mísseis e drones. Agora, os combatentes avançam para tomar as colinas estratégicas das montanhas de Kahboub, que dominam a costa do Mar Vermelho.
Os Estados Unidos, que bombardearam os houthis durante dois meses no ano passado, até agora rejeitaram os apelos do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, para voltar ao conflito. O New York Times informou que Trump cancelou no domingo, no último momento, ataques americanos contra os houthis, depois de tropas já terem começado a carregar bombas em aeronaves.

Questionado sobre o motivo de Washington ter evitado atacar os houthis, Rubio afirmou: “Em última instância, se isso acontecer, os Estados Unidos sempre estarão ao lado da Arábia Saudita e a apoiarão, porque temos um acordo com eles para fazer isso”.
“Dito isso, trata-se de um conflito muito perigoso e complexo, que já existia antes. Temos também um histórico com os houthis, e não queremos que isso seja afetado.”
Na reunião de Trump com os países do Golfo, uma proposta do Catar para criar uma estrutura que reúna o Irã e os Estados árabes do Golfo em uma arquitetura comum de segurança também estará em discussão, segundo fontes regionais. Uma das fontes afirmou que o Irã está analisando a proposta.
Em um discurso no Fórum Econômico do Catar, em Nova York, no domingo, o primeiro-ministro do país, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, afirmou que qualquer acordo desse tipo precisaria oferecer garantias de segurança aos países do Golfo e ampliar a interdependência econômica com o Irã.
“Uma segurança duradoura não pode ser construída por meio de ciclos repetidos de escalada e retaliação, nem de acordos que deixem qualquer Estado permanentemente exposto à insegurança”, disse.


