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    ONU endossa investigação da CNN e rejeita versão russa de ataque que matou 50 prisioneiros ucranianos

    Russos alegavam que centro de detenção teria sido atingido por foguetes Himars, dos Estados Unidos, mas apuração apontou várias inconsistência nos relatos das Forças Armadas da Rússia

    Um guarda de segurança fica em frente ao prédio no assentamento de Olenivka na região de Donetsk, Ucrânia, 10 de agosto de 2022, nesta foto tirada durante uma turnê de mídia organizada pelo Ministério da Defesa da Rússia
    Um guarda de segurança fica em frente ao prédio no assentamento de Olenivka na região de Donetsk, Ucrânia, 10 de agosto de 2022, nesta foto tirada durante uma turnê de mídia organizada pelo Ministério da Defesa da Rússia Alexander Ermochenko/Reuters

    Tim ListerGianluca Mezzofiore

    As Nações Unidas disseram que os relatos russos de um ataque com foguete a um campo de prisioneiros de guerra ucranianos em julho de 2022 não são apoiados por evidências. Mais de 50 prisioneiros ucranianos foram mortos no ataque daquele ano em um centro de detenção na cidade de Olenivka.

    Uma extensa investigação da CNN publicada em agosto do ano passado demonstrou que a narrativa russa de que o campo havia sido atingido por um foguete Himars ucraniano não resistiu ao escrutínio – uma descoberta agora apoiada pelas descobertas do Comissário de Direitos Humanos da ONU.

    Autoridades russas e locais da autodeclarada República Popular de Donetsk disseram que o ataque foi realizado pelo lado ucraniano, usando um dos foguetes Himars recentemente fornecidos pelos EUA.

    Na manhã seguinte à explosão, Andrey Lazarev, que trabalha para o canal de mídia Zvezda do Ministério da Defesa da Rússia, apontou para fragmentos, um dos quais incluía o número de série de um foguete em excelentes condições.

    O porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, major-general Igor Konashenkov, disse que o centro de detenção foi “atingido por um ataque de míssil do Himars americano”.

    Mas a investigação da CNN, com base na análise de vídeos e fotografias do local, imagens de satélite antes e depois do ataque e no trabalho de especialistas forenses e em armas, concluiu que “a versão russa dos eventos é provavelmente uma invenção. Quase não há chance de que um foguete Himars tenha causado danos ao depósito onde os prisioneiros estavam detidos”.

    Especialistas consultados pela CNN descartaram um ataque do Himars em Olenivka – mas não puderam dizer com certeza o que matou e feriu tantos prisioneiros. A investigação observou que “os especialistas dizem que a maioria dos sinais aponta para um incêndio intenso e, de acordo com várias testemunhas, não houve som de um foguete chegando”.

    ‘Direito à verdade, justiça e reparações’

    Um comunicado da ONU divulgado na terça-feira concordou que “as informações disponíveis e nossa análise permitem ao Escritório concluir que [o ataque] não foi causado por um foguete Himars”.

    “A Federação Russa não forneceu garantias satisfatórias sobre acesso seguro para as Nações Unidas visitarem o local específico, nem concedeu pedidos gerais do Escritório de Direitos Humanos da ONU para acessar áreas da Ucrânia sob o controle militar temporário da Federação Russa.”

    O Comissariado disse que foi capaz de “conduzir extensas entrevistas com sobreviventes do incidente em Olenivka” e realizou uma análise detalhada das informações adicionais disponíveis.

    A ONU acrescentou que “com base nas informações disponíveis, não é possível, neste estágio, estabelecer a fonte específica da explosão, nem a direção exata de onde uma arma pode ter sido disparada”.

    Os sobreviventes e as famílias dos prisioneiros feridos “merecem que a verdade seja conhecida e que os responsáveis pelas violações do direito internacional sejam responsabilizados”, disse o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, na terça-feira.

    “Nosso escritório se reuniu com as famílias das vítimas e ouviu seus apelos por verdade e justiça – e, de fato, eles têm direito à verdade, justiça e reparações. Para todos os afetados por esta tragédia, devemos fazer tudo o que pudermos para garantir que a justiça seja feita”.

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    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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