ONU exige informações sobre bem-estar de tenista chinesa desaparecida

Nesta sexta-feira (19), a Casa Branca também manifestou preocupação com o paradeiro de Peng Shuai

Tenista chinesa Peng Shuai treina para o Aberto da Austrália em Melbourne em 2019
Tenista chinesa Peng Shuai treina para o Aberto da Austrália em Melbourne em 2019 Reuters

Erin BurnettRhea MogulNectar GanHelen Reganda CNN

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A Organização das Nações Unidas (ONU) aumentou a pressão sobre a China nesta sexta-feira (19), ao pedir informações sobre o paradeiro da estrela do tênis Peng Shuai e exigir que sejam investigadas suas denúncias de abuso sexual.

Peng, uma das atletas mais reconhecidas na China, não foi vista em público desde que acusou o ex-vice-premiê Zhang Gaoli de forçá-la a fazer sexo em sua casa, de acordo com uma postagem em uma rede social de 2 de novembro, excluída minutos depois

“Seria importante ter provas de seu paradeiro e bem-estar, e pedimos que haja uma investigação com total transparência sobre suas alegações de abuso sexual”, disse Liz Throssell, porta-voz do escritório de Direitos Humanos da ONU, a repórteres em Genebra nesta sexta.

“De acordo com as informações disponíveis, a ex-número 1 de duplas no mundo não foi vista publicamente desde que alegou nas redes sociais que foi abusada sexualmente. Ressaltamos que é importante saber onde ela está e saber o seu estado, saber sobre seu bem-estar “, disse Throssell.

Hoje, a Casa Branca também expressou sua preocupação com a situação da tenista.

“Estamos profundamente preocupados com os relatos de que Peng Shuai parece estar desaparecida após acusar um ex-alto funcionário da RPC (República Popular da China) de agressões sexuais. Nos unimos aos apelos para que autoridades da RPC forneçam prova independente e verificável de seu paradeiro e de que ela está segura”, disse Jen Psaki, secretária de imprensa da Casa branca.

A postagem de Peng no Weibo, plataforma semelhante ao Twitter na China, foi excluída 30 minutos após a publicação, com os censores chineses agindo rapidamente para eliminar qualquer menção à acusação online. Sua conta no Weibo, que tem mais de meio milhão de seguidores, ainda está bloqueada para usuários na plataforma.

Nesta sexta, Shen Shiwei, jornalista de uma agência de notícias estatal, publicou três fotos que ele afirma terem sido postadas por Peng no WeChat, rede social popular na China, junto com a mensagem “fim de semana feliz”.

Shen disse que as fotos foram compartilhadas por um dos amigos de Peng. A CNN não pôde verificar de forma independente quando as fotos foram tiradas, se as fotos foram postadas pela tenista ou se realmente foram compartilhadas.

Associação de tênis ameaça deixar a China

O chefe da Associação de Tênis Feminino (WTA), Steve Simon, disse que está disposto a perder centenas de milhões de dólares em negócios na China se a tenista Peng Shuai continuar desaparecida e suas alegações não forem devidamente investigadas.

“Estamos definitivamente dispostos a tirar nosso negócio do país e lidar com todas as complicações”, disse Simon em uma entrevista à CNN nesta quinta-feira (18).

“Isso é certamente maior do que qualquer negócio”, acrescentou o chefe da WTA. “As mulheres precisam ser respeitadas e não censuradas”.

A intervenção de Simon coloca o chefe do tênis em uma provável rota de colisão com as autoridades da China, que até agora se recusaram a reconhecer publicamente as alegações de Peng.

Simon disse que a WTA está conversando com colegas da Associação Chinesa de Tênis, que garantiram que Peng não foi ferida em Pequim. No entanto, as tentativas de entrar em contato com a atleta diretamente não tiveram sucesso.

“Nós entramos em contato com ela em todos os números de telefone e endereços de e-mail e outras formas de contato”, disse ele. “Existem tantas abordagens digitais para entrar em contato com as pessoas hoje em dia, e até agora não conseguimos obter uma resposta”.

No início desta semana, a mídia estatal chinesa divulgou um e-mail, supostamente enviado por Peng a Simon, desfazendo suas denúncias e alegando que está bem.

O suposto e-mail foi divulgado apenas em plataformas de língua inglesa e a mídia doméstica chinesa não informou sobre seu conteúdo, apesar de Peng ser famosa na China.

Sobre o e-mail, Simon questionou sua veracidade, descrevendo-o como uma “declaração encenada de algum tipo”, observando que respondeu imediatamente e ainda não recebeu novo retorno.

“Se ela foi coagida a escrever ou se alguém escreveu para ela, não sabemos”, disse Simon. “Mas, neste ponto, não acho que haja qualquer validade nisso e não estaremos confortáveis ​​até que tenhamos a chance de falar com ela”, acrescentou.

(Texto traduzido. Clique aqui para ler o original em inglês)

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