Na ONU, Guterres diz que poluidores devem "pagar" por danos ambientais

Secretário-geral da ONU defendeu o fim do desmatamento, investimentos em redes elétricas e armazenamento, redução das emissões de metano e o aumento do financiamento para adaptação climática

Yasmin Caetano, da CNN Brasil
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O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que produtores de combustíveis fósseis devem "pagar" e alertou para os efeitos das mudanças climáticas.

Ele discursou na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (22), a última do diplomata no cargo.

Ele afirmou que a crise climática é um dos maiores desequilíbrios de poder entre gerações. Segundo ele, uma geração está “consumindo o futuro da próxima”, enquanto os grupos que menos contribuíram para o problema estão entre os mais afetados. Guterres alertou ainda que o limite de 1,5 grau Celsius está prestes a ser ultrapassado e defendeu uma transição energética rápida e coordenada.

“O sol não pertence a ninguém. O vento não pode ser embargado. A inovação pode surgir de qualquer lugar”, afirmou. Para Guterres, as energias renováveis já são a fonte mais barata de nova eletricidade em grande parte do mundo e representam o caminho mais viável para ampliar a segurança energética e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. Ele pediu que os governos adotem planos nacionais alinhados à meta de 1,5 grau, com prazos claros e proteção para trabalhadores e comunidades afetados.

O secretário-geral também criticou o setor de combustíveis fósseis e cobrou maior financiamento dos países ricos para enfrentar os impactos da crise. “Aqueles que mais poluíram — e mais lucraram — precisam fazer muito mais para reparar os danos que causaram. Os poluidores devem pagar”, disse Guterres. Ele defendeu o fim do desmatamento, investimentos em redes elétricas e armazenamento, redução das emissões de metano e o aumento do financiamento para adaptação e perdas e danos.

“Essa é uma profunda reconfiguração das relações de poder. As energias renováveis já são a fonte mais barata de nova eletricidade na maior parte do mundo e o caminho mais viável para a segurança energética, a independência e o crescimento sustentável."

Segundo o diplomata, desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, cinco grandes empresas petrolíferas ocidentais embolsaram quase meio trilhão de dólares em lucros. "Compare isso com apenas US$ 34 bilhões em financiamento público internacional para adaptação nos países em desenvolvimento no último ano registrado."

"Enquanto isso, as pessoas comuns estão pagando mais por energia, alimentos e seguros. Já vimos esse tipo de abuso de poder antes. Quando os danos causados pelo setor de tabaco se tornaram inegáveis, os governos agiram. A crise climática exige a mesma determinação", apelou ele.