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    ONU: Impactos climáticos levam para “territórios inexplorados de destruição”

    Documento Organização Meteorológica Mundial adverte que o mundo está "caminhando na direção errada" sobre a mudança climática

    Emissões de gases afetam o meio ambiente e impactam diretamente nas mudanças climáticas.
    Emissões de gases afetam o meio ambiente e impactam diretamente nas mudanças climáticas. Foto: SD-Pictures/Pixabay

    Gloria Dickieda Reuters

    Os impactos das mudanças climáticas estão “levando para territórios inexplorados de destruição”, alertou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, nesta terça-feira (13) ao comentar o lançamento de um relatório científico de várias agências que analisa as últimas pesquisas sobre o tema.

    O relatório, liderado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), adverte que o mundo está “caminhando na direção errada” sobre a mudança climática.

    Com as concentrações de gases do efeito estufa continuando a aumentar na atmosfera e os líderes mundiais não adotando estratégias para manter o aquecimento abaixo de 1,5ºC acima das temperaturas pré-industriais, a Terra está se aproximando mais de pontos perigosos de virada climática, diz o relatório da United in Science.

    Além disso, os eventos climáticos extremos já estão mais frequentes e intensos.

    “Ondas de calor na Europa. Enchentes excessivos no Paquistão… Não há nada de natural na nova escala desses desastres”, disse Guterres em uma mensagem de vídeo.

    Apesar de uma queda nas emissões durante os bloqueios por coronavírus, as emissões que aquecem o planeta subiram além dos níveis pré-pandêmicos. Dados preliminares revelam que as emissões globais de dióxido de carbono no primeiro semestre deste ano foram 1,2% maiores do que no mesmo período de 2019, segundo o relatório.

    Os últimos sete anos foram os mais quentes já registrados.

    A temperatura média global já aqueceu 1,1ºC acima da média pré-industrial. E os cientistas esperam que a média anual possa ficar entre 1,1°C e 1,7°C mais quente até 2026 — o que significa que há uma chance de ultrapassarmos o limiar de aquecimento de 1,5°C nos próximos cinco anos.

    Até o final do século, sem uma ação climática agressiva, estima-se que o aquecimento global chegue a 2,8°C.

    Mas mesmo no nível atual de aquecimento, poderíamos passar por vários pontos de inflexão climáticos.

    A corrente oceânica que transporta o calor dos trópicos para o hemisfério norte, por exemplo, está agora em seu nível mais lento em 1.000 anos — comprometendo os padrões climáticos históricos, diz o relatório, que inclui contribuições do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e do Escritório das Nações Unidas para Redução de Riscos de Desastres.

    Quase metade da população mundial é considerada altamente vulnerável aos impactos das mudanças climáticas — inundações, calor, seca, incêndios florestais e tempestades.

    Na década de 2050, mais de 1,6 bilhão de habitantes das cidades sofrerão regularmente com temperaturas médias de três meses de pelo menos 35°C.

    Para ajudar as comunidades a lidar com a situação, a OMM prometeu colocar todas as pessoas na Terra sob a proteção de um sistema de alerta precoce nos próximos cinco anos.