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    ONU: Inundações que atingem o Paquistão são as piores em mais de uma década

    Cerca de 33 milhões de pessoas foram impactadas pelo desastre, que já causou mais de US$ 10 bilhões em danos

    Moradores se reúnem ao lado de uma estrada danificada pelas águas das enchentes após fortes chuvas de monção no distrito de Charsadda, em Khyber Pakhtunkhwa, em 29 de agosto de 2022.
    Moradores se reúnem ao lado de uma estrada danificada pelas águas das enchentes após fortes chuvas de monção no distrito de Charsadda, em Khyber Pakhtunkhwa, em 29 de agosto de 2022. Reprodução/Aboul Majeed/AFP/Getty Images

    Sophia SaifiKathleen MagramoMayumi MaruyamaAngela Dewanda CNN*

    em Karachi, no Paquistão

    O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez nesta terça-feira (30) um apelo de US$ 160 milhões para o Paquistão, devastado pelas inundações, onde mais de 1.100 pessoas morreram e outras 33 milhões foram impactadas em uma das piores temporadas de monções em mais de uma década.

    O apelo ocorre no momento em que autoridades paquistanesas disseram que as inundações já causaram mais de US$ 10 bilhões em danos e pediram mais assistência internacional.

    “O povo paquistanês está enfrentando uma monção com esteroides – o impacto implacável dos níveis históricos de chuva e inundações”, disse Guterres durante o lançamento do apelo por ajuda financeira ao país.

    “À medida que continuamos a ver cada vez mais eventos climáticos extremos em todo o mundo, é ultrajante que a ação climática esteja sendo colocada em segundo plano, pois as emissões globais de gases de efeito estufa ainda estão aumentando, colocando todos nós, em todos os lugares, em crescente perigo”, disse.

    “Vamos parar de sonambulismo em direção à destruição do nosso planeta pelas mudanças climáticas”, disse ele.

    Hoje, é o Paquistão. Amanhã, pode ser o seu país.

    disse António Guterres

    Imagens de água jorrando pelas ruas, engolindo vilarejos e destruindo pontes servem como um forte lembrete das desigualdades da crise climática, que afeta desproporcionalmente o mundo em desenvolvimento. E os países mais ricos também têm uma responsabilidade histórica muito maior pela crise.

    O Paquistão foi classificado no ano passado como o oitavo país mais afetado pelas mudanças climáticas de 2000 a 2019, no Índice Global de Risco Climático do grupo sem fins lucrativos Germanwatch.

    As pessoas que vivem em pontos como o sul da Ásia têm 15 vezes mais chances de morrer devido aos impactos da crise climática.

    “Esta é uma crise climática”, disse Abdullah Fadil, representante do UNICEF no Paquistão à CNN. “Um clima que tem sido feito principalmente por países mais ricos, contribuindo para a crise, e acho que é hora de o mundo responder para apoiar o Paquistão neste momento de necessidade”.

    As inundações mortais ameaçam engolir até um terço da nação até o final da estação das monções, causando um alto custo de vidas, mas também de infraestrutura, além de causar estragos nas plantações em terras agrícolas no meio de uma crise alimentar.

    Na segunda-feira (29), o ministro do Planejamento do país, Ahsan Iqbal, revelou o custo estimado de US$ 10 bilhões para o país, dizendo à CNN que o “mundo precisa ajudar o Paquistão para lidar com os efeitos das mudanças climáticas”.

    Em um comunicado, a diretora do IRC no Paquistão, Shabnam Baloch, disse que o país produziu menos de 1% da pegada de carbono do mundo.

    A falta de instalações de higiene e água potável exacerbou o risco de doenças se espalharem em áreas inundadas, com quase 20 mil pessoas precisando de suprimentos essenciais de alimentos e apoio médico, acrescentou Baloch.

    “Nossa avaliação de necessidades mostrou que já estamos vendo um grande aumento nos casos de diarreia, infecções de pele, malária e outras doenças”, disse ela. “Estamos solicitando urgentemente aos doadores que intensifiquem seu apoio e nos ajudem a salvar vidas”.

    Uma família atravessa uma área inundada após fortes chuvas de monção no distrito de Charsadda, em Khyber Pakhtunkhwa, em 29 de agosto de 2022. / Reprodução/Aboul Majeed/Getty Images

    Um terço do Paquistão pode estar submerso em breve

    Em um comunicado divulgado nesta terça, os militares do Paquistão disseram que as missões de resgate estão em andamento e que a ajuda internacional está começando a chegar ao país, incluindo sete aeronaves militares da Turquia e três dos Emirados Árabes Unidos.

    Helicópteros evacuaram mais de 300 pessoas presas e distribuíram mais de 23 toneladas de itens de socorro, enquanto mais de 50 campos médicos foram estabelecidos com mais de 33 mil pacientes sendo tratados, diz o comunicado.

    Também nesta terça-feira, a China enviará duas aeronaves com 3 mil tendas e o Japão enviará lonas e abrigos, disse o comunicado, acrescentando que o Reino Unido, Canadá, Austrália e Azerbaijão anunciaram assistência financeira.

    O Fundo Monetário Internacional (FMI) forneceu ajuda nesta segunda, liberando US$ 1,17 bilhão em fundos de resgate para evitar um calote nas obrigações da dívida do país do sul da Ásia, enquanto enfrenta turbulência política e econômica agravada pelas inundações sem precedentes.

    Peter Ophoff, chefe da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC) no Paquistão, disse à CNN que não viu nada na escala dessas enchentes em quase três décadas trabalhando para a agência de ajuda. O país foi, no entanto, atingido por inundações igualmente devastadoras em 2010.

    “O Paquistão está em extrema necessidade e os danos estão aqui e estaremos nisso por muito tempo”, disse Ophoff. “Não são meses, mas anos que estamos falando”.

    As 33 milhões de pessoas impactadas pelas enchentes e chuvas representam 15% da população do país.

    Entre as 1.136 pessoas mortas desde meados de junho estavam 386 crianças, disse a Agência Nacional de Gerenciamento de Desastres (NDMA) nesta segunda, enquanto a chuva implacável aumentava o temor de mais mortes por vir. Quase meio milhão de casas foram destruídas, de acordo com o NDMA.

    “Quando isso acabar, poderemos ter um quarto ou um terço do Paquistão debaixo d’água”, disse a ministra de mudanças climáticas do Paquistão, Sherry Rehman, à agência de notícias turca TRT World na semana passada.

    Vista aérea da colônia Al Shah após fortes chuvas de monção atingem Hyderabad, Paquistão, em 26 de julho de 2022 / Anadolu Agency via Getty Images

    ‘Água jorrou para dentro’

    Cenas dramáticas aconteceram no Paquistão quando as inundações atingiram o país.

    “Chovia, mas não muito”, disse Ali Jan à Reuters na segunda, cercado por água em Chadsadda, no norte do Paquistão. Mas isso mudou rapidamente.

    “De repente, a parede externa do complexo desabou e a água jorrou”, disse Jan. “Nós mal conseguimos nos salvar. Quando as mulheres estavam saindo de casa, a água estava quase na cintura. Nós evacuamos as mulheres e o gado. O resto está aí para você ver. As colheitas também foram destruídas.”

    Em vídeos compartilhados pela Fundação Alkhidmat Paquistão, seus voluntários usaram uma estrutura formada por uma cama e um sistema de polias improvisado para ajudar uma criança e um idoso a atravessar as águas da enchente, de acordo com o gerente de mídia digital da ONG, Ihtisham Khaliq Waseer.

    Mais de 3 mil voluntários da ONG estão distribuindo ajuda em todo o país, disse ele.

    “Estamos recebendo ajuda, mas não é suficiente com o que precisamos no terreno porque os danos são muito maiores do que o esperado”, disse ele, acrescentando que as equipes de voluntários estão sobrecarregadas entregando suprimentos em áreas de difícil acesso há semanas.

    Waseer disse que espera que, à medida que as chuvas enfraqueçam e as águas das enchentes recuem na próxima semana, com base nas previsões meteorológicas, sua equipe possa entregar alimentos e estabelecer centros médicos em áreas remotas do Paquistão.

    *Com informações adicionais da Reuters

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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