ONU pede urgência nas novas negociações de reabertura do Estreito de Ormuz

Nova proposta de acordo daria controle da rota ao Irã, segundo fonte do alto escalão de Teerã

Parisa Hafezi e Timour Azhari, da Reuters
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Uma proposta de acordo entre o Irã e Omã daria a Teerã controle sobre os navios que entram no Golfo pelo Estreito de Ormuz, disse à Reuters, nesta quarta-feira (5), uma fonte iraniana de alto escalão e dois funcionários da região, no que seria uma das maiores concessões feitas ao Irã até o momento.

Apesar do aparente passo no sentido de ceder às exigências iranianas, as fontes refutaram as afirmações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que um acordo para reabrir o estreito estava iminente.

Mais tarde, o Irã relatou "progresso significativo" nas negociações com Omã sobre rotas de trânsito, afirmando que tanto as viagens de entrada quanto as de saída passariam por águas iranianas.

Autoridades dos EUA têm afirmado repetidamente que jamais aceitariam qualquer acordo que permitisse ao Irã controlar o acesso à rota comercial de suprimentos de energia mais importante do mundo.

Em uma coletiva de imprensa regular em Nova York, o vice-porta-voz da ONU, Farhan Haq, disse que as Nações Unidas não haviam recebido informações em primeira mão sobre uma possível reabertura do Estreito de Ormuz, mas acrescentou: "Certamente incentivamos as partes a avançar com qualquer esforço para alcançar uma solução negociada para a questão".

Um acordo que concedesse ao Irã qualquer controle sobre o acesso ao estreito significaria que a guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel resultou em uma grande mudança no equilíbrio de poder regional a favor de Teerã. Antes da guerra, o estreito estava livremente aberto a todos os navios, sem cobrança de taxas.

 

No entanto, Trump — que inicialmente disse que a "Operação Epic Fury" terminaria com a "rendição incondicional" do Irã e com ele próprio aprovando a escolha do líder iraniano — tem sofrido pressão para encontrar uma saída para uma guerra à qual a maioria dos eleitores americanos agora se opõem.

Segundo a autoridade iraniana de alto escalão, o Irã busca cobrar taxas entre 5% e 7% do valor das cargas dos navios que utilizam o estreito. Omã discute taxas menores, em torno de 3%, enquanto Washington não quer nenhuma cobrança.

Adotar taxas opcionais, pelo menos nominalmente, poderia ser uma saída para o impasse, embora a ameaça implícita de ataques iranianos signifique que dificilmente as empresas de transporte marítimo arriscariam o trânsito sem efetuar o pagamento.