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    ONU: Venezuela reativa modo mais violento de repressão; Maduro refuta denúncia

    Relatório reforça que cenário vem meses antes das eleições presidenciais

    Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela
    Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela REUTERS

    Luciana Taddeoda CNN

    Em relatório apresentado na Organização das Nações Unidas nesta quarta-feira (20), a missão internacional para determinar violações dos direitos humanos na Venezuela afirmou que o país vive, nos meses prévios às eleições presidenciais marcadas para o dia 28 de julho, uma “reativação da modalidade mais violenta de repressão”.

    “Os numerosos eventos registrados no período desta atualização confirmam que nos encontramos em uma fase de reativação da modalidade mais violenta de repressão pelas autoridades”, disse Marta Valiñas, presidente da Missão Internacional de Determinação dos Fatos na Venezuela, ao ler o relatório da investigação no Conselho de Derechos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça.

    Segundo ela, desde setembro de 2023, a missão observou “uma repetição dos mesmos padrões de violação dos direitos humanos contra pessoas opositoras ou percebidas como tais que inclui defensores dos Direitos Humanos que se atrevem a criticar, denunciar ou protestar por decisões ou políticas do governo”.

    Para os observadores que atuaram no país, a repressão promovida por autoridades venezuelanas funciona de duas maneiras: uma “mais violenta que se ativa para silenciar as vozes da oposição a qualquer preço, inclusive cometendo crimes”, e outra com a criação de um “clima de temor e intimidação” para restringir direitos fundamentais.

    O documento apresentado na ONU também diz constatar que as autoridades venezuelanas falam em “conspirações reais ou fictícias para amedrontar, prender e processar pessoas opositoras ou críticas ao governo”.

    A chancelaria venezuelana repudiou o relatório, que afirmou conter “acusações infundadas e mentiras” da missão, que qualificou como “falsa e vergonhosa”. O documento, publicado pelo ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gil, diz ainda que a missão viola os princípios da Carta da ONU, “para continuar tentando promover a política fracassada de ‘mudança de regime´, instruída pelos Estados Unidos”.

    Alexander Yánez Deleuze, representante venezuelano na ONU, por sua vez, disse que a missão foi estabelecida por um grupo reduzido de países que “instrumentaliza o Conselho de Direitos Humanos para poder avançar em sua agenda geopolítica e insistem em intervir nos assuntos internos da Venezuela e pretendem tutelar as instituições” do país.

    Segundo ele, as constatações são “afirmações hostis sem fundamento, não verificadas, nem contrastadas com o Estado e que sem dúvida serão insumos para a narrativa comunicacional contra a Venezuela utilizadas por meios transnacionais de comunicação”.

    Deleuze afirmou ainda que o escritório do Alto Comissariado da ONU na Venezuela “deixou seu mandato de imparcialidade, levando a cabo ações impróprias, favorecendo grupos golpistas e terroristas”.

    “Chama atenção que não tenham se pronunciado em nenhum momento sobre as denúncias feitas pelo governo nacional das várias tentativas de golpes de Estado e conspirações magnicidas”, disse, referindo-se às diversas denúncias, feitas por autoridades venezuelanas, de uma tentativa com drones, em 2018, e supostos planos para assassinar Nicolás Maduro.

    O governo e o Ministério Público venezuelanos vêm denunciando supostas conspirações, que contariam com apoio colombiano e de instituições norte-americanas, como a Administração Anti-Drogas dos EUA (DEA) e a Agencia de Inteligência do país (CIA) para atacar quartéis do país e assassinar o governador do estado de Táchira, Freddy Bernal, e Maduro.

    Desde então, dezenas de mandados de prisão foram emitidos pelo Ministério Público e dezenas de pessoas presas, entre elas a advogada e ativista Rocío San Miguel, ex-militares, youtubers e chefes de campanha da líder opositora María Corina Machado, que foi impedida de ocupar cargos públicos nos próximos 15 anos por decisão judicial, mas pretende concorrer nas eleições presidenciais de julho.