Organizadores correm contra o tempo para garantir Olimpíada em Tóquio

Enquanto o número de casos de Covid-19 crece no Japão, organizadores lutam contra a pressão popular e a dificuldade logística para a realizar os jogos

Logo da Olimpíada Tóquio 2020
Logo da Olimpíada Tóquio 2020 Foto: ´Issei Kato/Reuters

George Ramsay, da CNN Internacional

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Apesar dos protestos do público, do ceticismo das partes interessadas e do estado de emergência em curso em Tóquio e outras cidades, os organizadores afirmam que as Olimpíadas ainda ocorrerão no segundo semestre deste ano. 

Já adiada por um ano, as Olimpíadas estão programadas para acontecer de 23 de julho a 8 de agosto e as Paralimpíadas de 24 de agosto a 5 de setembro, mesmo tendo como pano de fundo um estado de emergência em Tóquio e em outras cidades até o final de maio e 45.000 novos casos de coronavírus registrados no Japão na semana passada.

O revezamento da tocha olímpica, já impactado pela pandemia, continua sua jornada pelo país asiático, e quatro provas de vôlei, mergulho, maratona e atletismo foram realizadas no início de maio como testes.

Mais de 11 mil atletas de 207 diferentes Comitês Olímpicos Nacionais participaram dos Jogos Olímpicos do Rio em 2016, e mais de 7,8 mil atletas já garantiram uma vaga para competir em Tóquio.

A distribuição de vacinas pode ter aumentado, mas reunir os melhores atletas do mundo para o maior evento esportivo do mundo será um grande desafio logístico.

Os planos 

Dadas as medidas rígidas de saúde e segurança que estão sendo implementadas, esta Olimpíada, sem dúvida, será diferente de qualquer outra.

Em abril, os organizadores lançaram a segunda versão de um manual descrevendo vários protocolos da Covid-19 que, segundo eles, incluirá “uma série de medidas para permitir que os jogos sejam realizados levando em consideração a evolução da Covid-19 no Japão e no mundo todo e que cada participante tem um papel claro a desempenhar para garantir sua própria segurança”.

Entre as medidas estão procedimentos detalhados sobre os testes, incluindo todos os participantes fazendo dois testes Covid-19 antes de entrar no Japão. Os atletas e os outros envolvidos nas competições serão testados todos os dias.

Se um atleta testar positivo para a doença, ele terá que se isolar e não terá permissão para competir, mas um outro teste será realizado a partir da mesma amostra se o primeiro teste for positivo ou inconclusivo.

Os participantes também terão que baixar dois aplicativos para postar relatórios de saúde e rastreamento de contato enquanto estiverem no Japão. Os atletas receberão um smartphone da Samsung na chegada à vila olímpica e paraolímpica para ajudar a registrar detalhes de saúde. 

Torcedores estrangeiros já foram proibidos de participar das Olimpíadas e Paraolimpíadas. Em junho, a organização deve anunciar se vai permitir a participação de torcedores japoneses. 

Atletas e membros das delegações foram orientados a usar máscaras em todos os momentos – exceto ao comer, beber, dormir, treinar ou competir, de acordo com o manual – e foram aconselhados a manter o distanciamento social.

Os atletas também foram instruídos a usar veículos dedicados aos Jogos, em vez de transporte público, para viagens e não visitar áreas turísticas, lojas, restaurantes, bares ou academias. Todas as suas refeições devem ser feitas em áreas dedicadas a isto. 

Os atletas também estão sob instruções para deixar o Japão até 48 horas após o término da competição.

Em junho, deve ser publicada uma versão final do manual de protocolos. 

As vacinas serão obrigatórias? 

As vacinas estão sendo vistas como parte da “caixa de ferramentas” de medidas durante as Olimpíadas, e o Comitê Olímpico Internacional (COI) diz que está trabalhando com os países para incentivar e auxiliar todos os atletas, oficiais e partes interessadas a serem vacinados.

No entanto, não será obrigatória a vacina para participar dos Jogos.

A distribuição da vacina no Japão até agora tem sido muito mais lento do que em outros países. Até 10 de maio, o país havia distribuído 4,4 milhões de doses de vacina à sua população de 126 milhões de pessoas.

O desafio para os organizadores é que os países que participarão dos jogos estão em ritmos diferentes de vacinação. Além disto, alguns atletas, incluindo o velocista Yohan Blake, também expressaram relutância em se vacinar.

O custo do cancelamento 

Os organizadores foram rápidos em desmentir os rumores de que os jogos seriam cancelados, mostrando que seguirão em frente com o planejamento atual. 

O primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, disse que a decisão sobre o cancelamento dos jogos cabe ao COI, e não ao governo do Japão ou ao comitê organizador local.

Dick Pound, membro do COI, também disse que outro adiamento seria muito caro para o Japão e logisticamente impossível, especialmente considerando que os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022 devem acontecer em menos de um ano.

O COI é uma organização sem fins lucrativos e distribui cerca de US$ 3,4 milhões todos os dias para apoiar atletas e organizações esportivas em todo o mundo.

As Olimpíadas respondem por uma parte substancial da receita total do COI: entre 2013 e 2016, por exemplo – período que abrange os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, em Sochi, e os Jogos Olímpicos de Verão no Rio, em 2016 – o COI gerou uma receita de US$ 5,7 bilhões.

Quase 75% do financiamento do COI vem de direitos de transmissão, o que significa que os Jogos de Tóquio gerariam uma receita muito necessária, mesmo sem a presença de fãs, enquanto o cancelamento seria um desastre financeiro para a organização.

Os jogos foram cancelados apenas em três ocasiões anteriores: em 1916, 1940 e 1944 – tudo por causa de guerras mundiais.

Oposição pública

Entre o público japonês, é forte o sentimento de que os jogos não devem ir adiante.

De acordo com uma pesquisa recente da emissora JNN, 37% dos entrevistados disseram que as Olimpíadas deveriam ser canceladas, enquanto 33% achavam que deveriam ser realizadas com um número limitado de espectadores e 28% disseram que deveriam ser adiadas.

Uma petição contra os jogos ganhou mais de 350.000 assinaturas, enquanto os manifestantes também saíram às ruas para protestar contra os Jogos.

No dia 12 de maio, uma entrevista coletiva do COI foi interrompida por um manifestante gritando “nenhuma Olimpíada, em lugar nenhum” e segurando uma faixa que dizia “nenhuma Olimpíada em Tóquio”.

O COI, no entanto, não se incomoda com a oposição do público.

“Estamos agora em uma fase de implementação com 78 dias para o final e totalmente concentrados na entrega dos Jogos”, disse o porta-voz do COI, Mark Adams, em entrevista coletiva online.

“Depois que os jogos acontecerem e os japoneses forem anfitriões orgulhosos de um evento que será um marco histórico, acho que veremos a opinião pública amplamente a favor das Olimpíadas.”

 

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