COP30

Países amazônicos "esquecem" promessas e repetem cúpula sem resultados

Nova cúpula da OTCA acontece em Bogotá sem que principais compromissos assumidos na Declaração de Belém tenham sido implementados de forma concreta

Pedro Teixeira, da CNN, em Brasília
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viaja na próxima quinta-feira (21) para a Colômbia, onde participará da 5ª Cúpula Presidencial dos Países Amazônicos.

O encontro, em Bogotá, ocorre mais de dois anos após a assinatura da Declaração de Belém, resultado da Cúpula da Amazônia realizada em agosto de 2023, cujos principais compromissos ainda não foram implementados de forma concreta.

O documento celebrado na época como um marco na cooperação regional, agrupou os presidentes do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.

Entre as promessas estavam a criação da Aliança Amazônica de Combate ao Desmatamento, com a meta de “desmatamento zero até 2030”, e a formação de mecanismos financeiros como a Coalizão Verde para financiar iniciativas sustentáveis.

No encontro também foram anunciadas medidas de segurança e monitoramento, como o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, previsto para funcionar na região, e um Sistema Integrado de Controle de Tráfego Aéreo para coibir crimes transfronteiriços, incluindo narcotráfico e garimpo ilegal.

 

No campo científico, a Declaração previa a criação de um Painel Técnico-Científico Intergovernamental, apelidado de “IPCC da Amazônia”, e de diversos observatórios temáticos, como o de defensores ambientais, mulheres rurais e povos indígenas. A ideia era integrar dados e ações de todos os países amazônicos, fortalecendo a governança regional.

Até o início de agosto de 2025, no entanto, boa parte dessas iniciativas seguia em estágio embrionário ou sem previsão de implementação.

O sistema de controle aéreo não saiu do papel. O Centro Policial em Manaus foi inaugurado em junho deste ano e está em fase de implementação. O Painel Técnico-Científico também está em fase de estruturação e sem calendário definido para início das atividades.

As exceções, até aqui, ficam por conta de ações pontuais. O Observatório Regional Amazônico (ORA), iniciado antes mesmo da cúpula de 2023, ampliou módulos de monitoramento de biodiversidade e recursos hídricos, com apoio internacional. A Rede Amazônica de Manejo Integrado do Fogo (RAMIF) avançou no alinhamento de estratégias de prevenção e combate a incêndios até 2026, mirando resultados para a COP30, que será realizada em novembro em Belém.

Ampliação de medidas

Na cúpula desta semana, os países devem buscar formas de avançar nos temas acordados em Belém. Um dos principais problemas é a falta de recursos para a ampliação de medidas.

Uma das apostas do governo brasileiro é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), um mecanismo financeiro proposto para proteger florestas tropicais em países em desenvolvimento, remunerando-os pela conservação da floresta.

O fundo é financiado por investimentos de diversos tipos, incluindo fundos soberanos, fundos de pensão e investidores privados, e visa gerar um fluxo de recursos estável e previsível para a conservação. O mecanismo está sendo desenvolvido pelo Brasil e deve ser apresentado oficialmente durante a COP30.

Ao longo da Semana de Ação Climática em Londres, em junho, países que podem ser apoiadores do TFFF – como Reino Unido, Noruega e Emirados Árabes Unidos – e nações detentores de florestas tropicais potencialmente elegíveis para receber pagamentos por área conservada – como Colômbia, Peru, República Democrática do Congo, Indonésia e Gana – expressaram publicamente interesse e apoio à iniciativa.