Países comunistas não apoiaram resolução da ONU que condena Rússia

China, Vietnã, Laos e Cuba se abstiveram em sessão da Assembleia-Geral da ONU; norte-coreanos foram contrários à medida

Da CNN Brasil
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Dos cinco países comunistas do mundo — China, Vietnã, Laos, Coreia do Norte e Cuba —, apenas um votou contra a resolução que condenou a Rússia na Assembleia-Geral da ONU: os norte-coreanos. Os demais países comunistas se abstiveram na votação desta quarta-feira (2) no plenário das Nações Unidas.

A resolução condenando a Rússia pela invasão à Ucrânia obteve apoio do Brasil. O projeto passou com 141 votos a favor, 5 contrários e 35 abstenções.

Nenhum representante da Coreia do Norte se pronunciou na ONU, mas, de acordo com a agência norte-coreana de notícias KCNA, as autoridades do país culpam a "política hegemônica" e a "arrogância" dos Estados Unidos e do Ocidente pelo conflito.

"A causa raiz da crise na Ucrânia está totalmente na política hegemônica dos EUA e do Ocidente, que se impõem com arrogância e abuso de poder contra outros países", disse a agência de notícias, citando um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores não identificado.

A Coreia do Norte acusou Washington e seus aliados de "ignorar as exigências razoáveis ​​e legítimas da Rússia" para garantias de segurança legalmente respaldadas.

Abstenção da China e o papel de mediação

A China, um dos países que se absteve, disse que seu posicionamento é "consistente e inequívoco". O gigante comunista defendeu que a integridade territorial da Ucrânia deve ser mantida e que está disposta a intermediar as negociações por um cessar-fogo.

Ainda assim, afirmou que a resolução não consultou todos os países-membro da ONU ou levou em consideração a história e complexidade da crise atual.

O representante chinês na ONU, Zhang Jun, parabenizou Rússia e Ucrânia por se mostrarem dispostos a uma nova rodada de negociações. Ele pontuou que é necessário "abandonar a mentalidade da guerra fria".

"É preciso abandonar a ideia de atingir a segurança através da expansão de blocos militares. É importante respeitar e ouvir as questões de segurança de todos os países", afirmou o embaixador. "Aceitar cegamente pressões e impor sanções e criar divisões só complicará a situação", acrescentou.

Por fim, Zhang Jun pediu à comunidade internacional que promova diálogo e consulta, algo que a China "está pronta para desempenhar um papel".

Laos aposta na diplomacia

Abouparb Vongnorkeo, embaixador da República Democrática Popular do Laos, disse que seu país já sofreu com a guerra e sabe das consequências negativas para "vidas inocentes".

Ele parabenizou governos que forneceram assistência humanitária às pessoas afetadas, mas enfatizou que Laos continua cético em relação a "sanções unilaterais", alertando que podem impactar pessoas inocentes, incluindo a comunidade global, especialmente durante a pandemia.

Assim, Vongnorkeo pediu que uma solução seja buscada através de meios diplomáticos e que preocupações das duas partes sejam ouvidas.

“É nossa fervorosa esperança que, através deste esforço diplomático, a paz possa ser restaurada, a paz que constitui o coração e a alma de nossa Organização, as Nações Unidas”, disse.

Cuba critica Otan

Em discurso na terça-feira (1°), o embaixador cubano na ONU, Pedro Luis Pedroso Cuesta, condenou as sanções impostas contra a Rússia e acusou a Otan de agir com “hipocrisia” na condução da guerra com a Ucrânia.

“Cuba rejeita essa hipocrisia e esse duplo padrão na postura da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Em 1999, houve uma agressão à Iugoslávia e os países da Europa não evitaram a grande perda de vidas por razões geopolíticas. Os Estados Unidos usaram a força em várias ocasiões em países soberanos para alterar regimes, interferindo na política interna de outros países”, afirmou Cuesta.

Apesar das críticas a europeus e americanos pró-Ucrânia, a ilha comunista optou pela abstenção.

Vietnã: "conflitos só causam sofrimento"

Também na terça-feira, o embaixador do Vietnã, Hoang Giang Dang, enfatizou que os conflitos atuais decorrem de “doutrinas obsoletas de política de poder, a ambição de dominação e o uso da força na resolução de disputas internacionais”.

Giang Dang afirmou que os conflitos "só causam sofrimento", e ressaltou a importância de uma resolução por meios diplomáticos e pacíficos, respeitando a independência política e integridade territorial dos Estados, não interferência nos assuntos internos dos Estados e abstenção da ameaça ou uso da força.

Por fim, o embaixador pediu que os outros países encorajem o diálogo e forneçam assistência humanitária tanto para os ucranianos quanto para os estrangeiros vivendo na Ucrânia.

Venezuela

O país comandado por Nicolás Maduro não votou na Assembleia-Geral da ONU de hoje.

Embora considerado por alguns um país comunista, a Venezuela tecnicamente não está sob este tipo de regime, segundo especialistas, nem é autodeclarada comunista.

*com informações da Reuters