Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Países da África Ocidental organizam força de prontidão para restaurar governo no Níger

    Nações que integram a CEDEAO não estipularam prazo mas já iniciaram preparativos para uma eventual invasão ao país, com o objetivo de devolver o poder ao presidente Mohamed Bazoum, deposto no final de julho

    Membros do conselho militar do Níger receberam um ultimato dos países da CEDEAO
    Membros do conselho militar do Níger receberam um ultimato dos países da CEDEAO 6/8/2023 REUTERS/Mahamadou Hamidou

    Chris LiakosSophie TannoMartin Goillandeauda CNN

    Os líderes da África Ocidental aumentaram nesta quinta-feira (10) a retórica contra os líderes golpistas do Níger, ordenando a “ativação” e o “desdobramento” de uma força regional de prontidão para restaurar a ordem constitucional no país atingido pelo golpe.

    Reunidos em Abuja, na Nigéria, após o término do ultimato de uma semana que deram à junta militar, os líderes da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) pediram um destacamento “para restaurar a ordem constitucional na República do Níger”, de acordo com uma declaração lida por Omar Alieu Touray, Presidente da Comissão da Cedeao.

    Não ficou imediatamente claro o que implicaria o “desdobramento” e a “ativação” da força.

    A declaração também enfatizou a “determinação de manter todas as opções sobre a mesa para a resolução pacífica da crise”.

    Golpe militar: general se apresenta como novo líder do Níger

    O Níger está mergulhado no caos político desde o final do mês passado, quando o presidente Mohamed Bazoum foi deposto em um golpe de estado pela guarda presidencial.

    A Cedeao respondeu dias depois decretando sanções e emitindo um ultimato à junta militar no poder: renuncie dentro de uma semana ou enfrente uma potencial intervenção militar. Esse prazo terminou no domingo, 6 de agosto, sem nenhuma mudança na situação política.

    Os líderes da Cedeao disseram que sua preferência é encontrar uma solução diplomática para a crise e enviariam tropas como último recurso.

    O bloco regional “defenderá todas as medidas e princípios acordados pela cúpula extraordinária realizada no Níger em 30 de julho de 2023”, na qual fortes sanções foram decididas contra a junta militar no Níger.

    Touray também alertou sobre as consequências para “os Estados membros que, por sua ação direta ou indireta, impedem a resolução pacífica da crise”.

    Mali e Burkina Faso, liderados por soldados que tomaram o poder, expressaram solidariedade à junta do Níger e alertaram que qualquer intervenção militar seria vista como uma declaração de guerra. A Guiné também disse que apoia o Níger.

    As forças armadas do Níger pareciam estar se preparando para uma possível intervenção militar esta semana, disse uma fonte militar à CNN. Um comboio de cerca de 40 caminhonetes chegou à capital ao anoitecer de domingo, trazendo tropas de outras partes do país.

    Confusão e preocupação

    Vários analistas disseram à CNN que uma intervenção militar no Níger provavelmente não seria iminente, pois leva tempo para reunir as tropas da Cedeao.

    O comunicado é “sobre mobilizar os recursos necessários caso seja necessária uma intervenção, mas também é um sinal para a junta no Níger de que a Cedeao está preparada para tomar as ações necessárias, incluindo a força, caso as negociações falhem”, disse Murtala Abdullahi, analista de defesa e segurança de Abuja à CNN.

    O bloco não deu nenhum cronograma e o presidente nigeriano Bola Tinubu, que é o atual presidente, afirmou que o uso da força seria o último recurso. No entanto, as notícias podem ser recebidas em termos mais urgentes no Níger, disse o analista de segurança Abdourahamane Alkassoum à CNN, apontando que os militares nigerenses vêm ganhando apoio localmente enquanto a Cedeao continua a falar duro.

    Outro especialista lembrou que a Cedeao demorou 7 semanas para enviar tropas para Gâmbia em 2017 – uma missão menos complicada do que seria no Níger.

    “A missão à Gâmbia foi muito mais direta”, diz Cameron Hudson, associado sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. “O Níger não seria apenas uma intervenção, é um resgate de reféns de um presidente que está em prisão domiciliar e sendo usado como escudo humano pela junta.

    “O Níger tem um exército significativo treinado pelos EUA, testado em batalha por anos de contrainsurgência”, acrescentou.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

    versão original