Países da União Europeia pedem máxima contenção em conflito com o Irã

Os 27 membros do bloco também pediram respeito ao direito internacional

Da Reuters
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Os 27 países da União Europeia pediram neste domingo (1º) "máxima contenção" e pleno respeito ao direito internacional no conflito com o Irã e em todo o Oriente Médio, disse a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas.

"Apelamos à máxima contenção, à proteção dos civis e ao pleno respeito pelo direito internacional, incluindo os princípios da Carta das Nações Unidas e o direito internacional humanitário", afirmou Kallas em comunicado em nome de todos os países membros da UE.

 

A declaração ocorreu após uma videoconferência de emergência dos ministros das Relações Exteriores da UE no domingo (1), convocada depois que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques militares contra o Irã, e Teerã respondeu com ataques contra Israel, forças dos EUA e países do Golfo.

"Os ataques do Irã e a violação da soberania de vários países da região são imperdoáveis. O Irã deve abster-se de ataques militares indiscriminados", afirmou o comunicado da UE.

Preocupações econômicas

Refletindo temores sobre interrupções nas entregas de petróleo e nas cadeias de suprimento, o texto diz que o conflito "não deve levar a uma escalada que possa ameaçar o Oriente Médio, a Europa e além, com consequências imprevisíveis, inclusive na esfera econômica".

"A interrupção de rotas marítimas críticas, como o Estreito de Ormuz, deve ser evitada", acrescentou o comunicado.

O texto foi um compromisso que refletiu visões divergentes dentro da UE — um bloco que representa cerca de 450 milhões de europeus — sobre a ação militar lançada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse neste domingo (1) que agora não era o momento de "dar lições" a parceiros e aliados. Em contraste, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, "rejeitou" a ação dos EUA e de Israel no sábado, afirmando que ela "contribui para uma ordem internacional mais incerta e hostil".

O que está acontecendo no Oriente Médio?

Os Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado (28) uma onda de ataques contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano.

O regime dos aiatolás iniciou retaliação contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, entre eles: Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

No domingo, a mídia estatal iraniana anunciou que seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas feitas pelos ataques norte-americanos e israelenses.

Após o anúncio da morte de Khamenei, o Irã ameaçou lançar a "ofensiva mais pesada" da história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país persa considera se vingar pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos como um "direito e dever legítimo".

Em resposta, Trump ameaçou o Irã contra os ataques retaliatórios, dizendo "é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista". As agressões entre as partes seguem neste domingo.

Na véspera, Trump já havia afirmado que os ataques contra o Irã vão continuar "ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!".