Países do G20 reconhecem ameaça climática, e papa Francisco pede ação

Segundo o papa, gerações futuras precisam de uma "esperança concreta" que combinem palavras com atos; reunião do G20 será dominada pelo tema

Policiais inspecionam área que abriga centro de convenções que receberá cúpula do G20 em Roma, na Itália
Policiais inspecionam área que abriga centro de convenções que receberá cúpula do G20 em Roma, na Itália Foto: Reuters

Costas PitasColin PackhamJan Strupczewskida Reuters

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Líderes dos 20 países mais ricos do mundo reconhecerão a ameaça existencial da mudança climática, revela um esboço de comunicado obtido pela Reuters.

O papa Francisco disse nesta sexta-feira (29) que a COP26 precisa dar às gerações futuras uma “esperança concreta” combinando palavras com atos.

O G20, cujos líderes se reúnem neste fim de semana em Roma, na Itália, e depois seguem para Glasgow, na Escócia, para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021 (COP26), prometerão adotar medidas urgentes para limitar o aquecimento global a 1,5ºC.

Embora o histórico Acordo de Paris, firmado em 2015, tenha estabelecido o compromisso entre os seus signatários com a preservação do aquecimento global “bem abaixo” de 2ºC acima dos níveis pré-industriais, e idealmente em 1,5ºC, os níveis de carbono na atmosfera aumentaram desde então.

“Nós nos comprometemos a enfrentar a ameaça existencial da mudança climática”, diz o esboço do comunicado do G20, que ainda pode ser alterado.

“Reconhecemos que os impactos do aquecimento global em 1,5ºC são muito menores do que em 2ºC e que uma ação imediata precisa ser tomada para manter o 1,5ºC ao alcance”.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, se unirá aos seus colegas de G20 após um contratempo nesta quinta-feira, quando a Câmara dos Deputados dos EUA desistiu dos planos de votar um projeto de lei de infraestrutura de US$ 1 trilhão, que teria representado o maior investimento em ações climáticas da história norte-americana.

Biden esperava chegar a um acordo antes da COP26, onde quer apresentar a mensagem de que os EUA retomaram o combate ao aquecimento global.

Enquanto isso, o papa Francisco engrossou o coro que pede ações na COP26, que vai de 31 de outubro a 12 de novembro, dizendo que os líderes políticos do mundo precisam dar às gerações futuras uma “esperança concreta” de que estão adotando as medidas necessárias.

Ele também pediu um “sentimento renovado de responsabilidade compartilhada por nosso mundo” para impulsionar ações. Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido e anfitrião do evento, disse nesta semana que o resultado da COP26 é uma incógnita.

O comunicado do G20, grupo de países que responde por cerca de 80% das emissões globais de gases de efeito estufa, disse que seus membros reconhecem “a relevância essencial de se zerar as emissões globais de gases de efeito estufa ou atingir a neutralidade de carbono até 2050”.

Mas os países que estão na linha de frente da campanha contra a mudança climática enquanto lutam contra a elevação do nível dos mares querem uma ação imediata.

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