Panamá confirma irregularidades em navio petroleiro apreendido pelos EUA

Embarcação Centuries foi apreendida no sábado pela Guarda Costeira dos EUA em águas internacionais ao largo da costa da Venezuela

Germán Padinger, Gonzalo Zegarra e Elizabeth González, da CNN em Espanhol
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O ministro das Relações Exteriores do Panamá, Javier Martinez-Acha, afirmou nesta segunda-feira (22) que um petroleiro de bandeira panamenha interceptado pelos Estados Unidos e outra embarcação – sem bandeira identificada – perseguida por forças americanas no Caribe não cumpriram a legislação do país nem o direito internacional em sua navegação.

Durante uma coletiva de imprensa no Palácio Bolívar, na Cidade do Panamá, o ministro das Relações Exteriores declarou, em resposta a uma pergunta da CNN, que os “navios sob suspeita desconectaram seus dispositivos de rastreamento, mudaram de nome e apresentaram problemas com os nomes das tripulações”.

“Esses são sinais de alerta graves”, acrescentou.

“Todos esses fatores nos levam a crer que nossa bandeira não está sendo usada de forma responsável. Agimos em conformidade com a lei marítima. Continuamos investigando e exigindo respeito às nossas leis e costumes marítimos”, afirmou Martinez-Acha.

O petroleiro Centuries, apreendido no sábado pela Guarda Costeira dos EUA em águas internacionais ao largo da costa da Venezuela, "transportava petróleo da PDVSA, empresa sujeita a sanções", afirmou uma porta-voz da Casa Branca no domingo (21), embora o próprio navio não constasse da lista de sanções. Ela também declarou que a embarcação estava operando sob bandeira falsa.

Por sua vez, o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Guevara Mann, declarou nesta segunda-feira que foi “erroneamente divulgado que o navio confiscado ontem (sábado) estava ostentando a bandeira panamenha, mas isso foi um engano; o navio está ostentando a bandeira da Guiana”. O funcionário acrescentou que o Panamá está acompanhando de perto a situação “delicada”.

Outro petroleiro, o Bella 1, estava sendo perseguido pelos Estados Unidos desde domingo. Essa embarcação está sob sanções – diferentemente dos navios da classe Centuries –, foi associada ao Irã e consta na lista da Organização Marítima Internacional como um navio não-capitânia.

A CNN entrou em contato com a Autoridade Marítima do Panamá para obter mais detalhes sobre os navios, mas ainda não recebeu resposta.

Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou um "bloqueio total e completo" à entrada e saída de petroleiros sujeitos a sanções na Venezuela.

Na semana passada, o presidente panamenho, José Raúl Mulino, disse que o país está acompanhando com muita atenção o aumento das tensões entre Washington e Caracas.

“Os Estados Unidos têm uma queixa contra a Venezuela por vários motivos, incluindo o seu desrespeito pela democracia e o seu patrocínio ao tráfico de drogas, segundo os critérios estabelecidos pelo governo dos Estados Unidos; esse é um problema entre eles”, observou ele.

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