Pandas gigantes nos EUA: Entenda a “diplomacia” da China com os ursos

Os pandas gigantes Ping Ping e Fu Shuang chegaram a Atlanta um dia após a visita de Xi Jinping a Washington e ficarão no zoológico por 10 anos; empréstimo de animais para outros países é prática da diplomacia de Pequim

Eduardo Cuevas, Steven Jiang e Issy Ronald, da CNN
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Dois pandas gigantes pousaram em Atlanta, nos EUA, com a missão de ajudar a garantir a sobrevivência de sua espécie na Terra. Muito recai sobre os ursos — um macho de 6 anos chamado Ping Ping e uma fêmea de 5 anos chamada Fu Shuang — que chegaram ao Zoo Atlanta no domingo (27).

Ambos fazem parte da longa tradição de Pequim de “diplomacia dos pandas”, enquanto os EUA e a China se enfrentam em disputas comerciais e numa corrida de inteligência artificial que faz alguns especialistas soarem alarmes existenciais.

Durante o período no zoológico de Atlanta, o par tem como objetivo se reproduzir para aumentar as populações de pandas, consideradas vulneráveis pelos conservacionistas.

Ainda há dúvidas sobre se Fu Shuang ficará impressionada com o que autoridades chinesas descrevem como a excepcional habilidade de Ping Ping em escalar árvores, ou se ele vai gostar do tufo de pelo no topo da cabeça dela. Também não está claro se os ursos ajudarão a aliviar as tensões entre as duas superpotências globais.

Veja o que sabemos sobre os pandas.

Treinados em caixas de transporte, viajando apenas com bambu, água e petiscos

Ping Ping e Fu Shuang iniciaram sua jornada de 13 mil quilômetors na Base de Pesquisa de Criação de Pandas Gigantes de Chengdu, a maior instalação de criação de pandas da China. Para se preparar para a grande mudança, os ursos ficaram em quarentena por um mês, disseram funcionários da base de pesquisa. Eles também foram treinados para o longo voo, pois precisavam se acostumar com suas caixas de transporte e com barulhos altos.

No início da manhã de domingo (27), horário local da província de Sichuan, eles embarcaram na jornada de 16 horas, chegando ao Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson de Atlanta a bordo de um Boeing 777 apelidado de “FedEx Panda Express”.

Os pandas viajaram em caixas de transporte construídas sob medida e foram a única carga do avião, “acompanhados apenas por bambu fresco, água e uma variedade de seus petiscos favoritos”, disse a FedEx em comunicado.

Eles foram foram transportados em caminhões da FedEx estampados com imagens de pandas, com escolta policial, pela região metropolitana de Atlanta até o destino final no zoológico.

Dentro do Zoo Atlanta, localizado no Grant Park, uma faixa exibia os dizeres: “O futuro lar de Ping Ping e Fu Shuang". Mas os visitantes terão que esperar para conhecer oficialmente o par.

O zoológico de Atlanta é agora apenas uma das três instalações dos EUA que abrigam pandas gigantes. Dois pandas chegaram a San Diego em junho de 2024, a primeira vez que a China emprestou novos pandas aos EUA em mais de duas décadas. Um segundo par foi enviado ao National Zoo de Washington no final daquele ano.

“Diplomacia dos pandas”

Ping Ping, que significa “paz”, e Fu Shuang, que significa “dupla bênção”, seguem uma longa linhagem de pandas usados como uma fofa ferramenta diplomática da China há mais de meio século.

O número de pandas nos EUA pode ser indicativo da relação atual do país com a China. Embora agora seis ursos vivam em zoológicos dos EUA em todo o país, o número está longe do recorde histórico de 15 pandas há cerca de uma década.

Ping Ping e Fu Shuang chegaram apenas um dia após a visita de Estado do líder chinês Xi Jinping a Washington. Xi e o presidente Donald Trump se reuniram para tratar das crescentes tensões entre as duas superpotências. Os dois líderes prorrogaram uma trégua comercial e concordaram em estabelecer uma linha direta sobre inteligência artificial entre os dois países.

Em discurso na quinta-feira (24), Xi afirmou que o panda havia sido um “embaixador da amizade” entre a China e os EUA, fazendo referência ao meio século em que pandas vivem em zoológicos americanos por empréstimo do governo chinês.

As instituições anfitriãs normalmente pagam uma taxa anual de US$ 1 milhão por um par de pandas, de acordo com uma análise do Congressional Research Service de 2022. Os acordos também exigem que a China direcione recursos para esforços de conservação.

Os pandas ficarão emprestados ao zoológico de Atlanta por 10 anos, segundo a Xinhua, agência de notícias estatal da China.

Os pandas e seus filhotes pertencem à China, para onde se espera que retornem eventualmente.

Autoridades esperam repovoar espécie vulnerável

Os pandas gigantes já habitavam vastas extensões da China, do norte de Mianmar e do Vietnã, mas seus habitats encolheram devido à expansão humana e às mudanças climáticas. Hoje, cerca de 1.900 pandas selvagens vivem em apenas seis cadeias montanhosas acima da bacia de Sichuan.

Sua população está crescendo lentamente, em parte graças aos esforços de conservação. Antes classificados como “em perigo de extinção”, os pandas foram reclassificados como “vulneráveis” pela União Internacional para a Conservação da Natureza em 2016.

A base de pesquisa e reprodução de pandas de Chengdu abriga cerca de 240 pandas, aproximadamente um terço da população global de pandas em cativeiro.

Os pandas são notoriamente difíceis de reproduzir em cativeiro, por isso até mesmo um nascimento é motivo de celebração. Os ursos, que são criaturas normalmente solitárias, podem ser seletivos na escolha de parceiros, e as fêmeas ficam no cio por apenas um a três dias por ano.

Os tratadores selecionaram Ping Ping e Fu Shuang com base em idade, saúde, genética e personalidade. Li Mingxi, vice-diretor do parque, disse à emissora estatal chinesa CCTV que eles deveriam “gostar um do outro e, esperançosamente, ser capazes de acasalar naturalmente”.

 

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