Pandemia de Covid-19 está ‘se acelerando’ na África, alerta OMS

Continente tem mais de 200 mil casos confirmados da doença e 5 mil pessoas já morreram

Mulher tenta comprar mantimentos em armazém de Harare, no Zimbábue, em meio ao lockdown imposto no país para conter a disseminação da Covid-19
Mulher tenta comprar mantimentos em armazém de Harare, no Zimbábue, em meio ao lockdown imposto no país para conter a disseminação da Covid-19 Foto: Philimon Bulawayo - 15.mai.2020 / Reuters

Da CNN, em São Paulo

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O número de casos do novo coronavírus na África dobrou em menos de 20 dias e a Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta para a falta de kits de testagem no continente.

“Levou 98 dias para alcançar os primeiros 100 mil casos e apenas 19 dias para saltar para 200 mil. Ainda que esses casos na África correspondam a menos de 3% do total do mundo, está claro que a pandemia está se acelerando”, afirmou nesta quinta-feira (11) a diretora da OMS África, Matshidiso Moeti, durante uma entrevista coletiva.

Hoje há mais de 200 mil casos confirmados de Covid-19 no continente, onde 5 mil pessoas já morreram por causa da doença, segundo ela.

Moeti ressaltou que até que uma vacina seja desenvolvida, ela espera um “aumento constante” de casos na região, “com pontos que precisam ser gerenciados por alguns países, como está acontecendo agora na África do Sul, Argélia e Camarões, por exemplo, que realmente precisam que medidas muito fortes, de saúde pública e distanciamento social, sejam tomadas”.

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De acordo com Moeti, na maioria dos países africanos, o novo coronavírus chegou às capitais com os viajantes.

“Foi através da viagem internacional, principalmente as pessoas viajando da Europa. Até onde sabemos, ainda não atingiu um número significativo nas áreas com tendência a ter campos de refugiados ou de pessoas deslocadas, mas certamente trabalhamos com nossos parceiros para nos preparar para isso”, disse Moeti.

Ela ressaltou que um dos maiores desafios do continente africano é a disponibilidade de suprimentos, “principalmente kits de testagem, e isso se dá por causa dos rompimentos na cadeia de abastecimento global”, afirmou.

Moeti disse ainda que “a ONU estabeleceu uma força-tarefa de abastecimento e outros mecanismos estão sendo colocados em prática para lidar com essa falta, incluindo o trabalho feito pela União Africana. Mais de 8 milhões de suprimentos de diagnósticos e 200 milhões de itens de equipamentos de proteção individual (EPIs) estão na fila para serem enviados aos países africanos”.

(Com informações de Sharon Braithwaite, da CNN, em Londres)

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