Papa Leão XIV diz que bispos devem abordar políticas migratórias de Trump

Em reunião no Vaticano, pontífice recebeu cartas de imigrantes descrevendo temores de deportação

Joshua McElwee, da Reuters
Compartilhar matéria

O papa Leão XIV disse aos bispos dos Estados Unidos que o visitaram no Vaticano nesta quarta-feira (8) que eles deveriam abordar com firmeza como os imigrantes estão sendo tratados pelas políticas do presidente americano, Donald Trump.

O pontífice, o primeiro dos EUA, recebeu dezenas de cartas de imigrantes descrevendo seus temores de deportação sob as políticas do governo Trump durante a reunião, que incluiu bispos e assistentes sociais da fronteira entre EUA e México.

"Nosso Santo Padre... está pessoalmente muito preocupado com essas questões", disse à Reuters o bispo de El Paso, Mark Seitz, que participou da reunião. "Ele expressou seu desejo de que a Conferência Episcopal dos EUA falasse com veemência sobre essa questão", acrescentou.

"Significa muito para todos nós saber de seu desejo pessoal de que continuemos a nos manifestar", disse Seitz.

O Vaticano não fez comentários imediatos sobre a reunião do papa.

Eleito em maio para substituir o falecido papa Francisco, Leão XIV demonstrou um estilo muito mais reservado do que seu antecessor, que frequentemente criticava o governo Trump em comentários improvisados.

Mas Leão XIV tem aumentado suas críticas nas últimas semanas.

O papa questionou, em 30 de setembro, se as políticas anti-imigração do governo Trump estavam de acordo com os ensinamentos pró-vida da Igreja Católica, em comentários que provocaram uma reação acalorada de alguns católicos conservadores proeminentes.

A Casa Branca disse que Trump foi eleito com base em suas muitas promessas, incluindo a de deportar estrangeiros ilegais criminosos.

Uma das cartas entregues ao papa nesta quarta-feira (8), compartilhada com a Reuters, descrevia uma família com dois integrantes que não tinham permissão legal para permanecer nos EUA e que tinham medo de sair de casa por medo de serem deportados.

"Acredito que o papa deveria se manifestar abertamente contra as operações e o tratamento injusto que a comunidade está sofrendo", dizia a carta, escrita em espanhol.

Leão XIV também se reuniu em particular com um grupo de cerca de 100 católicos norte-americanos envolvidos no ministério com imigrantes na noite de terça-feira (7), agradecendo-lhes por seu trabalho.